o experimento “Uma mulher que só amou uma vez na vida!”
Era assim que Sueli se autodefinia. Ela era apaixonada por Edmar. Desde a primeira que o viu, há mais de 15 anos, sabia que ele era “o cara”. Mas não era um romance fácil. Como num enredo de novela, era um relacionamento repleto de desencontros. Brigas, rompimentos que duravam meses e reconciliações emocionadas eram rotina. Beirando os 30, Sueli estava cansada de tantas idas e vindas.
Desde o último rompimento com Edmar já haviam se passado seis meses. Desta vez, ela não pretendia ceder ao retorno. Sabia que ele sempre se virava com outras. Aliás, normalmente, era esse o motivo das brigas dos dois: o seu eterno amor estava sempre envolvido com mais alguém. Então, Sueli decidiu: também queria mais. E saiu à caça com um discurso na ponta da língua:
– Quero fazer como os homens. Sempre achei que só conseguiria transar com alguém por amor. Aliás, dizem isso das mulheres, que nós só nos relacionamos quando estamos apaixonadas. Mas chega! Quero transar sem compromisso, sem me envolver. Chega de paixão! Viva a Samantha!!
Samantha é a personagem do seriado “Sex and the City” que evita se envolver com quem transa.
A busca de Sueli durou pouco. No happy hour de uma quinta-feira ela conheceu Bob, um homem bonito e boa pinta. A atração foi recíproca. Três chopps e meia hora de conversa depois, os dois já estavam se pegando. Pareciam adolescentes.
Naquela noite, Sueli ainda se fez de difícil. Na verdade, precisava depilar. Mas, no sábado, estava pronta para completar o que chamou de “o experimento”: transar só pela atração física.
O encontro foi no meio da tarde, em um café na Paulista. De lá, foram para o apartamento de Bob, na Vila Mariana. Estava tão excitada que nem precisou de preliminares. Quando saiu de lá, quase meia-noite, estava nas nuvens.
– Satisfeita, eu diria. Mas o melhor foi o dia seguinte. Nada de suspiros, nem um pouco de saudades. O experimento foi perfeito. Não tem aqui nenhum resquício de afeto! – falava em tom de vitória, colocando a mão no coração.
Nem uma semana depois, a velha paixão volta a procurá-la. Edmar estava com saudades. Ele também estranhou o fato de Sueli, naqueles seis meses, não ter feito nenhum movimento para encontrá-lo. Só de ouvir a voz do ex, Sueli estremeceu. “É meu amor”, pensou. Marcaram um jantar, ele foi pegá-la em casa e levou flores. Na volta, ele entrou para mais uma taça de vinho e para todo o resto que eles desejavam. De novo, Sueli foi às nuvens.
– E a qual conclusão você chegou depois do seu experimento? Qual sexo foi melhor?
– Os dois foram ótimos. Mas, o que eu conclui é que, com amor, além de satisfeita, no final, a gente fica mesmo é muito, mas muito mais feliz!
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
15/08/2010 - direto ao ponto
direto ao ponto Às quartas, o salão do centro espírita nunca estava cheio. Por isso, Lucimara estranhou quando justo naquela quarta, quando ela faria o seu primeiro atendimento no local, o número de pessoas era tão acima do esperado. Parou na porta e pensou, sinceramente, em fugir dali. Mas seus guias já a haviam advertido que, quando ela começasse a atender, a permitir que eles lhe inspirassem para ajudar outras pessoas, tudo em sua vida mudaria para melhor. E também disseram que o primeiro atendimento seria marcante. E assim, parada na porta, refletindo sobre o que faria em seguida, que ela avistou “ele” no meio da multidão.
– Foi como se um feixe de luz só iluminasse ele no meio de um palco. Deixei de “ver” as outras pessoas. E ele também parou para me olhar.
Lucimara estremeceu e se apressou para entrar. Foi para a área reservada, trocou de roupa, rezou e se concentrou para o novo trabalho. Deveria estar com a cabeça livre dos seus próprios problemas e sintonizada com o alto para captar os bons fluidos e conseguir captar o que os seus mentores lhe inspirassem. Estava convicta: tinha que ajudar as pessoas. Mas, quando seu primero “paciente” foi o homem que lhe chamou a atenção no meio da multidão, Lucimara pensou que seus guias estavam brincando. Gilberto era o seu nome.
– Só pode ser uma provação – pensou.
Com um esforço sobre-humano, ela se concentrou e até que conseguiu dar bons conselhos a Gilberto para o rapaz. Soube logo que ele era casado e que o casamento não ia lá muito bem – a esposa o evitava. “Ouviu” de seus mentores que deveria ter paciência e não se separar. Ele se foi agradecido e ela ficou aliviada. Tinha sobrevivido.
Na quarta seguinte, lá estavam os dois de novo no centro. Os olhares se cruzando e ela vibrando por dentro, só lembrou ao final da sessão de agradecer a Deus porque ele não calhou de se consultar com ela de novo. Mas, do lado de fora, lá estava Gilberto, a esperando. A acompanhou até o ponto, disse que tinha se simpatizado muito por ela, pediu seu telefone. Lucimara gostou.
Naquela semana, Gilberto lhe ligou e convidou para um café, depois do trabalho. Num restaurante discreto, já na mesa, ele foi direto ao ponto:
– Sabe, assim que te vi, me encantei. Mas sou casado, tenho filhos, minha mulher é doente e não vou largá-la. Mas preciso de alguém para conversar, trocar carinho, transar. Alguém que fique só comigo. Eu não vou ter outra pessoa. Você aceita?
Lucimara não pensou duas vezes. Conversaram umas duas horas e, depois, foram direto para um motel. Nem sei quanto tempo vivem assim. Só sei que quando o e-mail dele chega perguntando “Você pode hoje?”, minha amiga sai mais cedo do trabalho e volta deslumbrante no dia seguinte. E nunca, nunca mesmo é numa quarta-feira.
– Foi como se um feixe de luz só iluminasse ele no meio de um palco. Deixei de “ver” as outras pessoas. E ele também parou para me olhar.
Lucimara estremeceu e se apressou para entrar. Foi para a área reservada, trocou de roupa, rezou e se concentrou para o novo trabalho. Deveria estar com a cabeça livre dos seus próprios problemas e sintonizada com o alto para captar os bons fluidos e conseguir captar o que os seus mentores lhe inspirassem. Estava convicta: tinha que ajudar as pessoas. Mas, quando seu primero “paciente” foi o homem que lhe chamou a atenção no meio da multidão, Lucimara pensou que seus guias estavam brincando. Gilberto era o seu nome.
– Só pode ser uma provação – pensou.
Com um esforço sobre-humano, ela se concentrou e até que conseguiu dar bons conselhos a Gilberto para o rapaz. Soube logo que ele era casado e que o casamento não ia lá muito bem – a esposa o evitava. “Ouviu” de seus mentores que deveria ter paciência e não se separar. Ele se foi agradecido e ela ficou aliviada. Tinha sobrevivido.
Na quarta seguinte, lá estavam os dois de novo no centro. Os olhares se cruzando e ela vibrando por dentro, só lembrou ao final da sessão de agradecer a Deus porque ele não calhou de se consultar com ela de novo. Mas, do lado de fora, lá estava Gilberto, a esperando. A acompanhou até o ponto, disse que tinha se simpatizado muito por ela, pediu seu telefone. Lucimara gostou.
Naquela semana, Gilberto lhe ligou e convidou para um café, depois do trabalho. Num restaurante discreto, já na mesa, ele foi direto ao ponto:
– Sabe, assim que te vi, me encantei. Mas sou casado, tenho filhos, minha mulher é doente e não vou largá-la. Mas preciso de alguém para conversar, trocar carinho, transar. Alguém que fique só comigo. Eu não vou ter outra pessoa. Você aceita?
Lucimara não pensou duas vezes. Conversaram umas duas horas e, depois, foram direto para um motel. Nem sei quanto tempo vivem assim. Só sei que quando o e-mail dele chega perguntando “Você pode hoje?”, minha amiga sai mais cedo do trabalho e volta deslumbrante no dia seguinte. E nunca, nunca mesmo é numa quarta-feira.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Coração negro
Ela não imaginava que ganharia um presente daquele. Dentro da caixinha de madeira, um anel com uma pedra negra, escondido entre chocolate:
— É o meu coração — disse Álvares. — Para você tomar conta.
Eliza quase parou de respirar. Seu próprio coração batia tão forte que ela teve a impressão de que ele podia ouvir.
Ela não sabia o que responder. Talvez porque estivesse apaixonada, talvez porque o tenha reencontrado num momento muito solitário da vida, ou talvez porque era dezembro, perto do Natal, período mágico do ano em que a maior parte das pessoas está mais sensível.
Mais certo ter sido a conjunção de todas essas coisas que a fez realmente acreditar que tinha um coração para cuidar. Sentiu o peso bom daquela responsabilidade. E a confiança total naquele amor.
Então, colocou o anel no dedo e decidiu que não o tiraria tão cedo. Aquele coração-anel de ônix negro passaria a valer para ela muito mais do que um diamante.
Começou o ano exultante. Pena que não poderiam passar o 1º de janeiro juntos. Ela tinha marcado uma viagem com os pais. Mas, com o anel no dedo, se sentia protegida, poderosa e junto dele, mesmo distante por alguns dias.
No retorno do feriadão, estava explodindo de saudades. Mas um sentimento ruim se apossou dela após telefonar para ele pra dizer um “oi, voltei”.
A voz de Álvares não era a mesma. Estava carregada de uma disfarçada e irritante indiferença.
— Você nem ligou no Ano Novo! — ele disse.
— Não dava pra te ligar de onde eu estava — ela explicou.
— Olha, eu até arrumei uma namoradinha!
Álvares caiu do pedestal. Como era possível alguém, em menos de um mês, trocar de amor com tanta rapidez. Ele percebeu o choque.
— Não, boba, é só provocação — emendou.
Ela aceitou, mas não acreditou. A brincadeira doeu demais. E foi o primeiro passo do afastamento que se seguiu.
Instintivamente, o anel saiu do dedo. Virou pingente, sempre entre seus seios.
Depois, ela descobriu que a namoradinha tinha sido verdadeira. E vieram as brigas. Eliza não reconhecia mais o cara do Natal, mas continuava apaixonada, carregando aquele coração cada vez mais pesado.
Até que numa manhã o anel caiu no chão e rachou. Ficou ali um risco gravado no meio da pedra lisa, que mais parecia um sinal tenebroso. Álvares ainda tentou minimizar o fato.
— Rachou, mas não quebrou. É sinal que é forte... Este amor é forte! — insistiu.
— Só que eu não quero nada assim, trincado. E, do jeito que vamos, no próximo tombo, ele vai ficar é bem espatifado.
Publicada na Diário DEZ! em 21 de setembro de 2008
— É o meu coração — disse Álvares. — Para você tomar conta.
Eliza quase parou de respirar. Seu próprio coração batia tão forte que ela teve a impressão de que ele podia ouvir.
Ela não sabia o que responder. Talvez porque estivesse apaixonada, talvez porque o tenha reencontrado num momento muito solitário da vida, ou talvez porque era dezembro, perto do Natal, período mágico do ano em que a maior parte das pessoas está mais sensível.
Mais certo ter sido a conjunção de todas essas coisas que a fez realmente acreditar que tinha um coração para cuidar. Sentiu o peso bom daquela responsabilidade. E a confiança total naquele amor.
Então, colocou o anel no dedo e decidiu que não o tiraria tão cedo. Aquele coração-anel de ônix negro passaria a valer para ela muito mais do que um diamante.
Começou o ano exultante. Pena que não poderiam passar o 1º de janeiro juntos. Ela tinha marcado uma viagem com os pais. Mas, com o anel no dedo, se sentia protegida, poderosa e junto dele, mesmo distante por alguns dias.
No retorno do feriadão, estava explodindo de saudades. Mas um sentimento ruim se apossou dela após telefonar para ele pra dizer um “oi, voltei”.
A voz de Álvares não era a mesma. Estava carregada de uma disfarçada e irritante indiferença.
— Você nem ligou no Ano Novo! — ele disse.
— Não dava pra te ligar de onde eu estava — ela explicou.
— Olha, eu até arrumei uma namoradinha!
Álvares caiu do pedestal. Como era possível alguém, em menos de um mês, trocar de amor com tanta rapidez. Ele percebeu o choque.
— Não, boba, é só provocação — emendou.
Ela aceitou, mas não acreditou. A brincadeira doeu demais. E foi o primeiro passo do afastamento que se seguiu.
Instintivamente, o anel saiu do dedo. Virou pingente, sempre entre seus seios.
Depois, ela descobriu que a namoradinha tinha sido verdadeira. E vieram as brigas. Eliza não reconhecia mais o cara do Natal, mas continuava apaixonada, carregando aquele coração cada vez mais pesado.
Até que numa manhã o anel caiu no chão e rachou. Ficou ali um risco gravado no meio da pedra lisa, que mais parecia um sinal tenebroso. Álvares ainda tentou minimizar o fato.
— Rachou, mas não quebrou. É sinal que é forte... Este amor é forte! — insistiu.
— Só que eu não quero nada assim, trincado. E, do jeito que vamos, no próximo tombo, ele vai ficar é bem espatifado.
Publicada na Diário DEZ! em 21 de setembro de 2008
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Assunto de família
Eles não aguentavam mais a monotonia de suas vidas. Então, decidiram ser amantes.
Pelo menos três vezes por semana, Ricardo frequentava a casa de Hercília, sempre às tardes. Ele entrava pelos fundos e ela sintonizava um programa vespertino na TV, aumentando o volume. E se jogavam na cama do quarto.
E assim foram tocando o seu romance secreto, durante dois anos. Aos domingos, se a família se reunia na casa dos sogros deles, os dois mantinham distância. Na mesa onde sempre sentavam mais de dez parentes, Hercília escolhia o lado do marido, Marcos, ou de um dos filhos, enquanto Ricardo ficava solícito ao lado da mulher, Matilde.
Marcos e Matilde eram irmãos. Ricardo e Hercília, cunhados.
No início do ano, Hercília passara por uma fase feliz. O marido tinha ido viajar por alguns meses. Mas, o que ela não esperava era que o filho mais velho precisaria voltar mais cedo para casa, sem avisar. E o rapaz flagrou a mãe com tio na cama.
Foi um perereco. O rapaz foi direto para a casa dos avós desabafar sua indignação e desespero. A família toda foi convocada. Pais, irmãos, tios, filhos e sobrinhos dos dois casais se reuniram para debater o caso e o futuro dos traidores.
Mas Hercília mantinha a altivez e a razão que a paixão lhe conferiam. Disse que foi sem querer, que não contaram antes por falta de coragem.
— Sinto muito, mas vocês têm que entender. Foi sem querer — pediu, sem perceber que todos sabiam que aquilo não terminaria sem o flagrante.
Ricardo não estava muito convicto, mas, acuado, anunciou a sua separação. Matilde só chorava. E o resto da família defendia Marcos, o ausente.
O veredicto foi que Hercília deveria sair da casa do marido e Ricardo, da casa da mulher. Não havia mais o que falar. Qualquer palavra era um insulto. E Hercília e Ricardo se foram. Quando fecharam a porta, um silêncio de morte tomou conta da casa. Então o interfone tocou e, do outro lado da linha, a Hercília falou para o primeiro que atendeu:
— Oi. Pede pro meu filho trazer aqui no portão os meus óculos que ficaram aí?
— Ela esqueceu os óculos aqui — alguém disse.
Todos se entreolharam e nos seus lábios sorrisos sarcátiscos se desenharam. E várias mãos voaram para pegar a armação na mesa:
— Óculos, nem vi! — falou Manuela, a irmã mais nova de Matilde, enquanto o acessório deslizava de suas mãos para o chão e era espatifado com uma pisada.
— Será que é esse aqui? — perguntou Matilde, firmando a ponta da bota na lente de dois graus. — Filipe, leva lá pra sua mãe. Diga que é uma pena, mas a gente não viu e, sem querer, pisou nele.
Publicado na Diário DEZ em 14 de setembro de 2008
Pelo menos três vezes por semana, Ricardo frequentava a casa de Hercília, sempre às tardes. Ele entrava pelos fundos e ela sintonizava um programa vespertino na TV, aumentando o volume. E se jogavam na cama do quarto.
E assim foram tocando o seu romance secreto, durante dois anos. Aos domingos, se a família se reunia na casa dos sogros deles, os dois mantinham distância. Na mesa onde sempre sentavam mais de dez parentes, Hercília escolhia o lado do marido, Marcos, ou de um dos filhos, enquanto Ricardo ficava solícito ao lado da mulher, Matilde.
Marcos e Matilde eram irmãos. Ricardo e Hercília, cunhados.
No início do ano, Hercília passara por uma fase feliz. O marido tinha ido viajar por alguns meses. Mas, o que ela não esperava era que o filho mais velho precisaria voltar mais cedo para casa, sem avisar. E o rapaz flagrou a mãe com tio na cama.
Foi um perereco. O rapaz foi direto para a casa dos avós desabafar sua indignação e desespero. A família toda foi convocada. Pais, irmãos, tios, filhos e sobrinhos dos dois casais se reuniram para debater o caso e o futuro dos traidores.
Mas Hercília mantinha a altivez e a razão que a paixão lhe conferiam. Disse que foi sem querer, que não contaram antes por falta de coragem.
— Sinto muito, mas vocês têm que entender. Foi sem querer — pediu, sem perceber que todos sabiam que aquilo não terminaria sem o flagrante.
Ricardo não estava muito convicto, mas, acuado, anunciou a sua separação. Matilde só chorava. E o resto da família defendia Marcos, o ausente.
O veredicto foi que Hercília deveria sair da casa do marido e Ricardo, da casa da mulher. Não havia mais o que falar. Qualquer palavra era um insulto. E Hercília e Ricardo se foram. Quando fecharam a porta, um silêncio de morte tomou conta da casa. Então o interfone tocou e, do outro lado da linha, a Hercília falou para o primeiro que atendeu:
— Oi. Pede pro meu filho trazer aqui no portão os meus óculos que ficaram aí?
— Ela esqueceu os óculos aqui — alguém disse.
Todos se entreolharam e nos seus lábios sorrisos sarcátiscos se desenharam. E várias mãos voaram para pegar a armação na mesa:
— Óculos, nem vi! — falou Manuela, a irmã mais nova de Matilde, enquanto o acessório deslizava de suas mãos para o chão e era espatifado com uma pisada.
— Será que é esse aqui? — perguntou Matilde, firmando a ponta da bota na lente de dois graus. — Filipe, leva lá pra sua mãe. Diga que é uma pena, mas a gente não viu e, sem querer, pisou nele.
Publicado na Diário DEZ em 14 de setembro de 2008
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