<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514</id><updated>2012-02-16T05:01:05.854-08:00</updated><title type='text'>Um Conto em 4 Cantos</title><subtitle type='html'>Contos publicados na revista DIÁRIO DEZ, do Diário de São Paulo.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>50</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-7866675109331810003</id><published>2011-10-13T18:31:00.000-07:00</published><updated>2011-10-13T18:31:01.062-07:00</updated><title type='text'>De pantufas de leão</title><content type='html'>&lt;div&gt;Gilberto bem que gostou daquela vida que acabara de descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Débora era diferente de toda mulher que havia conhecido. Ela era bonita, formada em administração, tinha um bom emprego, um carro e apartamento próprio, onde vivia sozinha com sua poodle Fifi. Mas, melhor do que tudo, ela era muito boa de cama e ainda não se importava em sair cedo para trabalhar, enquanto ele ficava em sua casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto aproveitava a solidão e dormia até mais tarde. Valorizava aquele tempo para pensar no que queria da vida. O rapaz de 23 anos estava numa fase pela qual muitos passam: tinha dúvidas quanto ao futuro, à profissão a seguir, a que curso fazer. Não conseguia decidir se deveria estudar perto de casa ou escolher uma faculdade em outro lugar. Já tinha prestado vestibular e iniciado a faculdade de direito. Por isso, morou seis meses no interior, em uma república. Mas percebeu que não tinha vocação para leis e pensou em fazer odontologia. Desistiu do curso de direito e voltou para casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus pais não estavam nada satisfeitos. Foi nessa fase de dúvidas que ele conheceu Débora. Na casa dos pais, sentia-se pressionado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eles querem apressar a minha decisão — queixava-se aos amigos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, quando seu caminho cruzou com o de Débora e ele percebeu que poderia passar muito tempo no apartamento dela, Gilberto vibrou. Ela, 15 anos mais velha, parecia não ligar para as dúvidas dele. Gostava de sua companhia, comprava tudo o que ele gostava de comer e ainda deixava livre o controle remoto da TV. Era a vida perfeita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Gilberto, de fato, não conseguia olhar além do próprio umbigo. Débora podia parecer liberal, até gostava, mas também buscava mais do que noites de bom sexo na sua cama. E as dúvidas existenciais do rapaz começaram a cansá-la. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tudo bem que ele tenha desistido do curso direito, mas quem quer fazer odonto precisa estudar. E eu nunca vi uma apostila sequer em casa. Aquilo começou a me irritar. Ele parece uma criança — desabafou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Débora morava em um bom bairro na sua cidade. Seu apartamento era considerado de classe alta. Um dia, esqueceu um documento do escritório em casa e iria precisar dele para uma reunião. Então, lembrou que tinha deixado Gilberto dormindo e ligou para pedir um favor: que ele pegasse o papel e descesse em meia hora. Eram 11 horas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Quando cheguei, quase morri. Ele estava sentado no degrau do portão do meu prédio cheio de frescuras, com a bermuda do pijama, sem camisa, todo despenteado, segurando a Fifi pela coleira e, nos pés, usava as minhas pantufas de leão. Foi a gota d’água. Acabou. Pantufas de leão não dá! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado na Diário DEZ! em 28 de setembro de 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-7866675109331810003?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/7866675109331810003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=7866675109331810003' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/7866675109331810003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/7866675109331810003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/10/de-pantufas-de-leao.html' title='De pantufas de leão'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-6457070986294823977</id><published>2011-09-30T11:35:00.000-07:00</published><updated>2011-10-03T18:20:03.614-07:00</updated><title type='text'>Coração negro</title><content type='html'>&lt;div&gt;Ela não imaginava que ganharia um presente daquele. Dentro da caixinha de madeira, um anel com uma pedra negra, escondido entre chocolate: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É o meu coração — disse Álvares. — Para você tomar conta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliza quase parou de respirar. Seu próprio coração batia tão forte que ela teve a impressão de que ele podia ouvir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não sabia o que responder. Talvez porque estivesse apaixonada, talvez porque o tenha reencontrado num momento muito solitário da vida, ou talvez porque era dezembro, perto do Natal, período mágico do ano em que a maior parte das pessoas está mais sensível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais certo ter sido a conjunção de todas essas coisas que a fez realmente acreditar que tinha um coração para cuidar. Sentiu o peso bom daquela responsabilidade. E a confiança total naquele amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, colocou o anel no dedo e decidiu que não o tiraria tão cedo. Aquele coração-anel de ônix negro passaria a valer para ela muito mais do que um diamante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou o ano exultante. Pena que não poderiam passar o 1º de janeiro juntos. Ela tinha marcado uma viagem com os pais. Mas, com o anel no dedo, se sentia protegida, poderosa e junto dele, mesmo distante por alguns dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No retorno do feriadão, estava explodindo de saudades. Mas um sentimento ruim se apossou dela após telefonar para ele pra dizer um “oi, voltei”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz de&amp;nbsp;Álvares não era a mesma. Estava carregada de uma disfarçada e irritante indiferença. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Você nem ligou no Ano Novo! — ele disse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não dava pra te ligar de onde eu estava — ela explicou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Olha, eu até arrumei uma namoradinha! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álvares&amp;nbsp;caiu do pedestal. Como era possível alguém, em menos de um mês, trocar de amor com tanta rapidez. Ele percebeu o choque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não, boba, é só provocação — emendou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela aceitou, mas não acreditou. A brincadeira doeu demais. E foi o primeiro passo do afastamento que se seguiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instintivamente, o anel saiu do dedo. Virou pingente, sempre entre seus seios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, ela descobriu que a namoradinha tinha sido verdadeira. E vieram as brigas. Eliza não reconhecia mais o cara do Natal, mas continuava apaixonada, carregando aquele coração cada vez mais pesado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que numa manhã o anel caiu no chão e rachou. Ficou ali um risco gravado no meio da pedra lisa, que mais parecia um sinal tenebroso.&amp;nbsp;Álvares ainda tentou minimizar o fato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Rachou, mas não quebrou. É sinal que é forte... Este amor é forte! — insistiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Só que eu não quero nada assim, trincado. E, do jeito que vamos, no próximo tombo, ele vai ficar é bem espatifado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicada na Diário DEZ! em 21 de setembro de 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-6457070986294823977?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/6457070986294823977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=6457070986294823977' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/6457070986294823977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/6457070986294823977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/09/coracao-negro.html' title='Coração negro'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-4111914691209140799</id><published>2011-08-02T12:41:00.000-07:00</published><updated>2011-08-02T12:41:44.951-07:00</updated><title type='text'>Assunto de família</title><content type='html'>&lt;div&gt;Eles não aguentavam mais a monotonia de suas vidas. Então, decidiram ser amantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos três vezes por semana, Ricardo frequentava a casa de Hercília, sempre às tardes. Ele entrava pelos fundos e ela sintonizava um programa vespertino na TV, aumentando o volume. E se jogavam na cama do quarto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foram tocando o seu romance secreto, durante dois anos. Aos domingos, se a família se reunia na casa dos sogros deles, os dois mantinham distância. Na mesa onde sempre sentavam mais de dez parentes, Hercília escolhia o lado do marido, Marcos, ou de um dos filhos, enquanto Ricardo ficava solícito ao lado da mulher, Matilde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos e Matilde eram irmãos. Ricardo e Hercília, cunhados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início do ano, Hercília passara por uma fase feliz. O marido tinha ido viajar por alguns meses. Mas, o que ela não esperava era que o filho mais velho precisaria voltar mais cedo para casa, sem avisar. E o rapaz flagrou a mãe com tio na cama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um perereco. O rapaz foi direto para a casa dos avós desabafar sua indignação e desespero. A família toda foi convocada. Pais, irmãos, tios, filhos e sobrinhos dos dois casais se reuniram para debater o caso e o futuro dos traidores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Hercília mantinha a altivez e a razão que a paixão lhe conferiam. Disse que foi sem querer, que não contaram antes por falta de coragem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sinto muito, mas vocês têm que entender. Foi sem querer — pediu, sem perceber que todos sabiam que aquilo não terminaria sem o flagrante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo não estava muito convicto, mas, acuado, anunciou a sua separação. Matilde só chorava. E o resto da família defendia Marcos, o ausente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O veredicto foi que Hercília deveria sair da casa do marido e Ricardo, da casa da mulher. Não havia mais o que falar. Qualquer palavra era um insulto. E Hercília e Ricardo se foram. Quando fecharam a porta, um silêncio de morte tomou conta da casa. Então o interfone tocou e, do outro lado da linha, a Hercília falou para o primeiro que atendeu: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Oi. Pede pro meu filho trazer aqui no portão os meus óculos que ficaram aí? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ela esqueceu os óculos aqui — alguém disse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos se entreolharam e nos seus lábios sorrisos sarcátiscos se desenharam. E várias mãos voaram para pegar a armação na mesa: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Óculos, nem vi! — falou Manuela, a irmã mais nova de Matilde, enquanto o acessório deslizava de suas mãos para o chão e era espatifado com uma pisada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Será que é esse aqui? — perguntou Matilde, firmando a ponta da bota na lente de dois graus. — Filipe, leva lá pra sua mãe. Diga que é uma pena, mas a gente não viu e, sem querer, pisou nele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado na Diário DEZ em 14 de setembro de 2008 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-4111914691209140799?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/4111914691209140799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=4111914691209140799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/4111914691209140799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/4111914691209140799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/08/assunto-de-familia.html' title='Assunto de família'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-2732867213492939162</id><published>2011-07-07T15:01:00.000-07:00</published><updated>2011-07-07T15:01:38.623-07:00</updated><title type='text'>Milagres acontecem</title><content type='html'>&lt;div&gt;Yone não conseguia explicar ao certo o porquê, mas se emocionou desde o primeiro dia em que a viu. Médica pediatra especialista em problemas gástricos, ela estava acostumada a atender crianças com saúde debilitada. Mas, quando Luísa e sua mãe foram ao seu consultório, ela se sentiu estranhamente tocada. Pediu exames e, ao receber os resultados, ficou ainda mais impressionada: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O que ela sofria provocaria em qualquer pessoa uma dor muito intensa. Mas a menina nunca chorava. Só tinha expressão de dor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luísa estava com 2 anos, mas não se desenvolvia como as demais crianças. Com um problema mental severo, ela tinha reações de um bebê de 3 meses. Também havia adquirido um refluxo crônico e, por causa disso, sofria com várias irritações no seu aparelho digestivo. De tempos em tempos, a menina tinha crises e não conseguia comer. Nestes períodos, a família era obrigada a interná-la para que não desidratasse. Ela podia morrer em casa. Mas a pequena nunca chorava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica experiente, Yone sabia que o mal da garotinha era raro e muito difícil de tratar. Curá-la, então, impossível. Na conversa que deveria ter com a mãe para dar o diagnóstico, pensou: “Devo ser honesta. Ela não vai sobreviver muito tempo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara a cara com a mãe, porém, teve que engolir o nó na garganta que quase a fez chorar. E disse: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Vamos tratá-la da melhor forma possível. O caso é complicado, mas a gente nunca pode deixar de acreditar que milagres acontecem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yone sentiu o olhar admirado da mãe de Luísa atravessá-la. Acostumada a lidar com médicos, a mulher se surpreendeu com aquele “milagres acontecem”, que não tinha nada a ver com a racionalidade dos doutores que conhecia. Yone também se assustou. Não era religiosa e sentia como se não fosse ela quem tivesse dito aquilo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou e as crises da menina foram rareando. Luísa ganhou peso e novas expressões. Após alguns meses, outros exames mostraram que as irritações haviam desaparecido. Comendo normalmente, a menina parecia mais feliz. Não tinha mais expressão de dor e passou a sorrir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Luísa tinha mesmo um problema grave e qualquer doença simples podia derrubá-la. Foi o que ocorreu. Uma infecção de garganta comum a toda criança, com uma febre de mais de 40 graus, a fez voltar às crises do dia para a noite e ela não resistiu. Morreu numa tarde de primavera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yone não se conformou. E, então, foi a mãe da menina quem lhe explicou o que aconteceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— A senhora disse que a gente tinha que acreditar em milagres. E ele aconteceu, não percebe? O milagre foi Luísa ter vivido tão bem e feliz neste final de vida que ainda tinha neste mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado na Diário DEZ em 07 de setembro de 2008 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-2732867213492939162?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/2732867213492939162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=2732867213492939162' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2732867213492939162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2732867213492939162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/07/milagres-acontecem.html' title='Milagres acontecem'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-4195657792886734742</id><published>2011-07-03T07:11:00.000-07:00</published><updated>2011-07-03T07:11:41.584-07:00</updated><title type='text'>Trabalho estável</title><content type='html'>&lt;div&gt;Todos os dias, sem falta, lá pelo fim da tarde, Priscila e Ronaldo chegavam juntos para trabalhar. Vinham de carro e estacionavam no mesmo lugar: na esquina da rua, muito próximo ao portão da garagem de minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila descia vestida discretamente: geralmente de calça jeans e camiseta, cabelo preso num coque ou num rabo de cavalo. Já ele usava seu uniforme de guarda noturno preto, impecável e bem passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu costumava ler neste horário, sentada na varanda, o casal já me conhecia e nunca deixava de me cumprimentar: “Boa tarde!”, diziam, e seguiam rua abaixo, mãos dadas, como namorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, davam uma paradinha para passar a mão na cabeça da cadela ou perguntar se podiam pegar uma muda de uma planta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, Ronaldo comentou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— A gente vem trabalhar e deixa o carro aqui porque parece mais seguro. Você não se importa, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Claro que não — respondi com pressa, sem querer esticar a conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rotina era sempre a mesma: os dois voltavam logo depois de amanhecer para pegar o carro e partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu morava num bairro central. Área que um dia havia sido industrial, mas que, naquela época, era decadente. Fábricas tinham se mudado, havia muitos galpões fechados e poucas casas habitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo bordado no uniforme, descobri que Ronaldo trabalhava em uma das poucas empresas ainda em atividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, voltando de uma festa tarde da noite, o vi ao lado da guarita, tomando um café de garrafa térmica. A fábrica ficava a uns dois quarteirões de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e Priscila, o que fazia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a ficar curiosa quando percebi que, em seis meses, a vida financeira do casal parecia melhorar. Primeiro tinham uma velha Variant verde oliva, fabricada na década de 70. Em seis meses, trocaram de carro duas vezes. E o último era zero quilômetro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila começou a chamar a minha atenção: cada dia estava mais bonita e vestia roupas melhores. Morando onde eu morava, não foi difícil matar a charada. Parte do meu bairro também tinha se transformado em área de prostituição. Boates e casas de stripers faziam muito sucesso por lá. As moças ficavam nas ruas, buscando os clientes nos carros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite, quando eu olhei melhor no rosto de uma delas, descobri Priscila. Estava com peruca ruiva, um biquíni minúsculo, uma blusa transparente por cima e uma sandália plataforma. Era hostness de uma das melhores boates do bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa bela tarde, Priscila chegou só, dirigindo o próprio carro. Desceu como sempre discreta e, quando me viu, cumprimentou. A cadela tinha dado filhotes e ela parou para ver a ninhada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E o Ronaldo? Não vem hoje? — perguntei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ele não vem mais, foi mandado embora. Mas, tudo bem. Disse a ele para ficar em casa e cuidar das crianças, não se preocupar tanto. O que eu ganho dá bem pra sustentar a família toda e ainda sobra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado na Diário DEZ em 31 de agosto de 2008&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-4195657792886734742?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/4195657792886734742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=4195657792886734742' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/4195657792886734742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/4195657792886734742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/07/trabalho-estavel.html' title='Trabalho estável'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-3615238108665857114</id><published>2011-06-24T10:49:00.000-07:00</published><updated>2011-06-24T10:49:13.519-07:00</updated><title type='text'>Uma certa Maria</title><content type='html'>&lt;div&gt;Maria se transformou num trapo humano. Sua pele como que se descolou dos seus ossos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se escuta, ninguém sabe. Mais parece que escolhe o que escutar. Ou então prefere fingir que ninguém fala, para não precisar falar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais lhe pertence. E também não se pertence mais. Olhos parados, corpo parado, boca caída. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só usa roupas largas, peças desconexas, nos pés só chinelos com meias e, na cabeça, uma touca de lã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não escolhe o que comer, não se importa onde a colocam, não opina sobre nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sente. Percebo isso em alguns de seus raros olhares, brilhantes de lágrimas que nunca caem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me pergunto: onde está Maria? Aquela mulher que um dia foi a temida, a raivosa, a mais bela, a mais querida. E que também foi, muitas vezes, a mais odiada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém quer mais Maria. Mas, pensando bem, vários tentaram e ela não deixou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro que lhe amou foi Rômulo. Funcionário de escola, ele também foi o único que ela desejou. Mas, como ela, tinha um péssimo gênio. Trocavam juras de amor num dia para, no seguinte, brigarem aos gritos por causa de uma bobagem qualquer. Ele a queria tanto, e tinha tanto medo do seu querer, que buscava na agressão gratuita uma forma de se proteger. Enfim, não sabia o que fazer com aquele amor. Foram tantas idas e vindas, que um dia o pai dela, um italiano tradicionalista, decidiu: “Este namoro acabou!” Maria, obediente, aceitou. Mas seu coração amargou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, vieram os outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel, o mecânico, tinha um negócio próprio, uma oficina promissora. Vivia com quatro irmãs, todas amigas de Maria, que a achavam uma boa cunhada, ótima dona de casa. Mas o cheiro de Miguel não a agradava. Mesmo de banho tomado, água de colônia da melhor no corpo, a graxa impregnava o nariz de Maria. E ela o mandou embora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, apareceu o viajante, vendedor que trazia da capital as novidades da moda, os melhores perfumes, as mais belas roupas, os objetos mais raros. Tonico quis levar Maria com ele. “Juntos conheceremos o mundo”, ele disse, ao se encantar com o bom gosto da moça, sempre impecável, altiva, segura, linda. Mas tudo o que Maria não queria era sair do seu canto. E Tonico se foi só. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, se apresentou Adelino, um engenheiro viúvo que chegou para construir uma estrada e foi ficando pela cidade. Ele já era rico. Logo de cara, lhe deu uma pulseira de ouro e lhe ofereceu um casamento de princesa e uma casa de rainha. Mas Adelino era mais velho e, para ela, era como se estivesse aceitando se casar com um tio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dos amores, quanto mais a vida andava, mais Maria recusava o afeto dos parentes e amigos. Usava a grosseria gratuita e o isolamento voluntário. Foi se afastando de todos até que todos se cansaram dela. Envelheceu com beleza e parecia feliz com sua independência. Agora que nem isso lhe sobrou, quem a vê só sabe dizer: “Coitada, como é só essa Maria!” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Publicado na Diário DEZ em 24 de agosto de 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-3615238108665857114?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/3615238108665857114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=3615238108665857114' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/3615238108665857114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/3615238108665857114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/06/uma-certa-maria.html' title='Uma certa Maria'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-7449723988072094074</id><published>2011-06-14T17:10:00.000-07:00</published><updated>2011-06-14T17:10:29.844-07:00</updated><title type='text'>Ela viu um gatinho</title><content type='html'>&lt;div&gt;O beijo foi recebido assim, num susto. Beatriz realmente não estava esperando por aquilo. Ele era quase um menino, estava sentado no banco de trás do carro e ela ao volante. Então, quando ela se virou para dizer um tchau, Fernando a surpreendeu. Beatriz não sabia o que fazer. Só não rejeitou o carinho, aquela boca macia de homem moço, sem barba por fazer, uma delícia de beijo. Ela se deixou levar e, por um longo minuto, simplesmente esqueceu quem era e por que estava ali. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de fora do carro, Vilma também levou um susto quando viu a cena. Ela havia saído primeiro do carro e, no meio da chuva, correu para abrir a porta de casa, já que era tarde da noite. Virou automaticamente a chave na fechadura e se voltou para trás para esperar por Fernando, seu filho caçula. Mas, ao invés de dizer o último tchau para Beatriz, sua melhor amiga, o que viu foi o seu filho aos beijos com ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vilma não havia percebido nada de suspeito entre os dois. Nenhum clima durante a festa, para a qual ela levou o filho apenas para espairecer. Era o aniversário de uma amiga das duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;— Vamos, Fê, vai ser legal você conversar com gente mais experiente, que já está batalhando no mercado há um tempão — disse Vilma ao filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando estava naquela fase de não saber o que estudar, que faculdade seguir. Já havia iniciado dois cursos e agora pensava num terceiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Só vi que os dois conversaram a noite toda. Eu havia pedido para Beatriz dar uns conselhos pra ele, sobre a faculdade. Quando os vi aos beijos, achei muito engraçado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beatriz, porém, ficou preocupada. Mais de dez anos mais velha que o rapaz, ela não sabia como encarar Vilma. Terminou o beijo, expulsou o rapaz do carro, disse tchau rapidinho e arrancou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Calma, gatinha, não tem problema, não — Fernando garantiu. Mas ela estava envergonhada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu não sabia o que fazer, achei que tinha perdido a amiga. Vilma não me ligou no dia seguinte e eu entrei em pânico. Mas, ao mesmo tempo, havia adorado o beijo — lembra Beatriz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só a vida dos dias de hoje pode explicar o que aconteceu depois. Vilma foi a responsável pela aproximação do casal. Num domingo, marcou um almoço em casa, os dois conversaram e se acertaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Você não tem ciúmes? — eu quero saber. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Já senti de outras namoradas dele, mas não da Beatriz. Acho até que ela corre mais perigo que ele, porque Fernando está na fase de não saber direito o que quer. Pode mesmo machucá-la. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beatriz, porém, diz que encara uns arranhões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É lindo quando ele me chama de gatinha. Então agora também não o chamo mais de Fernando. Só o chamo mesmo é de gatinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Publicado em 17 de agosto de 2008 na Diário DEZ!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-7449723988072094074?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/7449723988072094074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=7449723988072094074' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/7449723988072094074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/7449723988072094074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/06/ela-viu-um-gatinho.html' title='Ela viu um gatinho'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-2061004867412223213</id><published>2011-06-01T19:27:00.000-07:00</published><updated>2011-06-01T19:27:31.380-07:00</updated><title type='text'>Um tipo de palhaça</title><content type='html'>&lt;div&gt;&amp;nbsp;— Ele achou que eu era uma vagabunda — me disse Cinira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era assim que ela explicava o fim de seu caso com Narciso. Os dois se conheciam há quase um ano e há três meses começaram a transar eventualmente. Não havia um compromisso formal, mas cada vez que rolava os dois ficavam nas nuvens. Pareciam um casal de apaixonados, com aquela insegurança comum a todo início de relacionamento. Narciso é o tipo de homem maduro que adora bancar o intelectual. Não é bonito, mas seu charme sempre resolveu tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Seu amigo é muuuiiito legal — me disse Cinira no dia em que eu os apresentei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo avisei: — Cuidado. O Narciso não é um cara fácil. Se envolver com ele pode ser uma roubada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Fica tranqüila. Tenho experiência — desconversou Cinira, que tinha 45 anos e há três estava separada &amp;nbsp;Ela vivia com os filhos gêmeos, de 9 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi tiro e queda. Ela se encantou com o jeito romântico de Narciso, que enviava e-mails diários de bom dia, textos engraçados à tarde e outros insinuantes antes do fim do expediente. Cinira resistia, até que um dia decidiu topar uma cerveja. Chegou ao boteco animada, mas teve uma surpresa: ele estava com outra a tiracolo. Minha amiga não perdeu o rebolado e fingiu que nem ligou. Mas, quando entrou no carro, desabou a chorar e me ligou, já se iludindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tem algo de estranho aí, não acha? — ela disse, fungando. — A mulher estava lá, mas ele ficou o tempo todo do meu lado. Está confuso. Tá na cara que não gosta dela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É. A paixão já havia tomado conta de Cinira. Mesmo assim, ela esperou um novo sinal dele. Alguns meses mais tarde, Narciso finalmente procurou a minha amiga. Ali começou um romance. Cinira gostava dele, mas não queria forçar um compromisso. Geralmente ficavam na casa dele. Numa noite, porém, ele propôs:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Vamos a um motel qualquer dia desses curtir uma tarde toda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela topou. Marcaram no meio de uma tarde. Ele escolheu o dia da semana e o horário. Cinira estava excitadíssima. Inventou uma desculpa no trabalho e arrumou uma babá para ficar com os filhos a noite toda, se precisasse. Fez depilação, passou creme, fez as unhas. Uma hora antes da marcada, porém, Narciso enviou uma mensagem de texto pelo celular avisando que ia atrasar. Um cliente chato queria vê-lo. Ela respondeu que esperava ele avisar a hora que iria sair. Ele demorou uma hora para responder ok. Duas horas depois, Cinira mandou outra mensagem, perguntando o que fariam. E ele respondeu: “Sorry, mas ainda espero o meu cliente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;— E isso é tudo,  Vivi . Faz uma semana. Não deu mais sinal de vida. Como se ele tivesse me descoberto na sessão de classificados. Então, o que posso pensar? Que, para ele, mulher apaixonada é assim: um tipo de vagabunda com cara de palhaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado na Diário DEZ! em 10 de agosto de 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-2061004867412223213?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/2061004867412223213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=2061004867412223213' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2061004867412223213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2061004867412223213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/06/um-tipo-de-palhaca.html' title='Um tipo de palhaça'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-404616809231657688</id><published>2011-05-10T17:04:00.000-07:00</published><updated>2011-05-10T17:04:31.453-07:00</updated><title type='text'>Tarde de domingo</title><content type='html'>&lt;div&gt;Elizabeth até desistiu de beber a saideira. Ficou com tanta raiva do ex-namorado, tão indignada pela grosseria dele com a noiva, que deixou o bar triste e com um único pensamento: “Se era esse o tipo de mulher que ele queria, ainda bem que nós não demos certo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo e Elizabeth foram namorados por algum tempo. Mas, sem muita explicação, se separaram e cada um arrumou um outro parceiro. Dois anos depois, se reencontraram com a velha turma de amigos, cada um com o seu atual a tiracolo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— De repente, ele, pra fazer graça, apertou um peito dela e fez ‘fom-fom’, como se fosse a buzina do Chacrinha, dando uma bela gargalhada no final. Na frente de todo mundo! Parecia um louco! A menina ficou sem graça, mas não falou nada. Eu levantei e fui embora. Fiquei com pena dela, triste por ele, que parecia decadente, e arrasada por mim. É que, depois daquilo, que esperanças eu poderia ter? Quero dizer, de voltar com o Rodrigo? Só conseguia lembrar de meu pai... — Elizabeth me disse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Do seu pai? — perguntei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elizabeth, então, resolveu me contar uma velha lembrança de uma tarde de domingo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Na televisão, um programa de auditório cantava músicas populares na sala, mas nenhum dos dois prestava atenção. Eles se espremiam no sofá, o melhor lugar da casa naqueles dias quentes — suspirou, com um sorriso nos lábios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu estava no meu quarto, brincando com bonecas e amigos imaginários, quando escutei as risadas abafadas que vinham da sala. Tinha uns 7 anos. Abri a porta do quarto e fui espiar meus pais namorando. Meu pai estava com uma mão em um dos seios da minha mãe, que reclamava melosa, com um tom de dengo na voz: “Pára, bem!”. Eles logo perceberam a minha entrada no corredor. Meu pai levantou a cabeça e me encarou com olhos brilhantes. Nessas alturas, eu já estava encostada no batente da porta da sala. Ele me deu um sorriso com ar de quem fazia uma travessura, e me mandou uma piscadinha: “Oi, filha, você está aí? Vem cá com a gente!”. Depois de me encherem de beijos, o meu pai se encarregou de me despachar, com um tapinha na bunda: “Agora vai brincar que eu vou ficar aqui, namorando a sua mãe...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elizabeth tinha uma certa adoração pelo pai. O ar sempre brincalhão e o corpo grande e cheio de pêlos, para ela, era sinônimo de segurança e também de aconchego: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— A barriga dele parecia uma almofada onde eu podia deitar minha cabecinha e dormir — lembrou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o pai, e a forma como ele tratava a mãe, aprendeu que o desejo não era pecado, mas também que a intimidade não devia ser exposta publicamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O meu pai podia parecer ousado, mas nunca, nunca mesmo, envergonhou a minha mãe. Nunca faria “fom-fom” no peito de uma mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado em 3 de agosto de 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-404616809231657688?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/404616809231657688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=404616809231657688' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/404616809231657688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/404616809231657688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/05/tarde-de-domingo.html' title='Tarde de domingo'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-3610578324580046346</id><published>2011-05-04T16:36:00.000-07:00</published><updated>2011-05-04T16:36:35.368-07:00</updated><title type='text'>Técnico e perfeito</title><content type='html'>&lt;div&gt;Marcílio surpreendeu-se quando Giovana lhe explicou sobre os botões. Lá no fundo, ficou envaidecido. Achou que aquilo era um grande elogio. Não percebeu que, nas entrelinhas, Giovana tentava dizer que o sexo entre os dois estava cada vez mais automático, sem emoção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É o seguinte: eu sempre gozo com você. Afinal, você sabe apertar os meus botões. Sabe do que eu gosto e como eu gosto. É inevitável não gozar! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntos há 15 anos, Giovana e Marcílio se conheciam muito bem na cama. Quando casaram, ela era bastante jovem e sua experiência com o sexo oposto era limitada. Marcílio foi um ótimo professor, teve paciência e foi mostrando a Giovana como quebrar preconceitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Marcílio sabia como conduzi-la, ela também não ficava atrás: tinha de cor o percurso que levava o marido ao êxtase. Nunca falhava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que ela fazia aquilo automaticamente e, às vezes, querendo acabar logo com o sexo, lançava mão de sua tática para dormir mais cedo. Tinha uma preguiça enorme de começar a transar, nunca tomava a iniciativa, vivia dando desculpas e arrumando brigas. Odiava o jeito como ele a abordava, sem preliminares, mas não sabia como mudar e, sem ver saída, se entregava. Gozava, mas depois queria dormir, rápido, e muitas vezes chorava sem ele perceber. Enfim, não era feliz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giovana, porém, não achava ter o direito de ser infeliz. Afinal, sabia ser uma mulher invejada. O marido a desejava o tempo todo, não a traía e vivia fazendo tudo o que ela queria. Mas, começou a perceber que, além do sexo, a relação a entediava. Pequenas coisas a irritavam. A incomodava, por exemplo, não poder ficar só de calcinha na sua própria casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Se fico pelada, ele vem se esfregar. É um saco porque, na maioria vezes, só quero ficar à vontade. Me sinto um pedaço de salame observado por um cão faminto — dizia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giovana ficou anos neste dilema. Um dia, bebendo com algumas amigas numa mesa de bar, ela ouviu Angélica, uma colega mais velha, contar sobre a noite passada. A moça tinha dormido com um cara que conhecera recentemente. A turma quis saber dos detalhes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Foi tecnicamente perfeito! — disse Angélica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase trouxe uma certa polêmica à mesa. Cíntia, a mais romântica do grupo, não entendeu: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Como assim? Então, você está apaixonada! Quer que ele volte, não é? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não. Mas se rolar de novo, tudo bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não é possível! Como o sexo pode ser perfeito sem sentimento? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí, como num clique, que Giovana entendeu o seu dilema. O diálogo das amigas jogou uma luz na sua vida. E ela mesma deu a resposta a Cíntia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É simples, Cíntia. Ele soube apertar os botões certos. Para isso não é preciso amor ou paixão. É pura técnica. Dá pra viver assim uma vida toda. E, quer saber, isso é mais comum do que a gente pode imaginar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado na Diário DEZ! em 27 de julho de 2008 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-3610578324580046346?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/3610578324580046346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=3610578324580046346' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/3610578324580046346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/3610578324580046346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/05/tecnico-e-perfeito.html' title='Técnico e perfeito'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-2952722789874744042</id><published>2011-04-14T18:02:00.000-07:00</published><updated>2011-04-14T18:02:33.040-07:00</updated><title type='text'>Na mesma esquina</title><content type='html'>&lt;div&gt;E lá estavam eles novamente, abraçados, como há quase 20 anos. Álvares e Elisa não haviam planejado aquilo. Tinham acabado de sair de uma reunião com a velha turma da faculdade, cada um para um lado da cidade, e nem imaginavam quando iriam se rever. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Elisa estava muito curiosa para saber o que Álvares havia achado do reencontro, organizado pelos dois, pela internet. E ligou no número do celular que ele acabara de gravar para ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Fiquei constrangido... Mas... foi com você! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álvares e Elisa haviam tido um estranho caso durante a faculdade. E nenhum deles sabia ao certo como tinha terminado. Os dois nunca assumiram um namoro. Álvares queria sair com quem bem entendesse e Elisa não achava que tinha o direito de cobrar fidelidade. Um dia, porém, percebeu que não tinha saúde emocional para levar uma relação tão aberta e partiu para outra. A ele, não disse palavra. E ele também não procurou saber. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só se reencontraram anos depois, graças à internet. “Oi, tudo bem? Te encontrei no Orkut. Tinha certeza de que te acharia neste mundo virtual. Estou procurando velhos amigos. Manda notícias. Bjs. Álvares” — dizia a primeira mensagem que recebeu dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elisa se considerava uma mulher bem resolvida. Mas sabia, lá no fundo do coração, que nunca havia esquecido Álvares. Secretamente, fez da imagem dele uma espécie de “amigo imaginário”, a quem contava tudo. Por isso, tinha certeza de que voltar a falar com Álvares lhe traria algum bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme iam trocando mensagens, colocavam os pingos nos “is” que ficaram do passado. Foram descrevendo as mágoas que sobraram e tentando explicar os porquês das atitudes tomadas. Não pediram desculpas, porque a vida já havia tirado a razão de muitas coisas feitas lá atrás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que veio a idéia de organizar o reencontro da turma. Os dois estavam morrendo de vontade de se ver, mas sozinhos não tinham coragem nem de propor. E em território neutro tudo é mais fácil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umas dez pessoas apareceram. Elisa foi a última a chegar. Álvares já achava que ela ia dar o cano. Os olhos dos dois brilharam quando se viram. Se abraçaram de saudades e sentaram um ao lado do outro. Conversaram sem parar, rindo um do outro e de todos. Na hora de ir embora, nenhum dos dois queria, de verdade, ir sozinho. No meio do caminho para casa, sem agüentar de curiosidade, ela ligou para ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;— O que achou do reencontro da turma? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Fiquei constrangido... Mas... foi com você! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela resolveu entender o que aquilo significava. Ainda pelo celular, ele a guiou até onde estava. Desceram dos carros e se largaram um nos braços do outro. No meio da multidão de estranhos, na rua, estavam ainda mais à vontade. E se beijaram. Não escolheram, mas talvez por coincidência, ou pela providência, a esquina era a mesma onde haviam se conhecido, há 20 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado na Diário DEZ! em 20 de julho de 2008 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-2952722789874744042?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/2952722789874744042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=2952722789874744042' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2952722789874744042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2952722789874744042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/04/na-mesma-esquina.html' title='Na mesma esquina'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-5626988180733290956</id><published>2011-04-14T13:08:00.000-07:00</published><updated>2011-04-14T13:08:27.390-07:00</updated><title type='text'>Embaixo do lençol</title><content type='html'>&lt;div&gt;A menina de 4 anos ficava empolgada quando via aquele perfil conhecido de longe. Rita não tinha 50, mas parecia já ter passado dos 60. Tinha pressão alta, varizes e outras doenças que os médicos diziam ser relacionadas à idade. Mesmo assim, trabalhava numa casa de família. Era miúda, muito enrugada, cabelos armados e cinzentos, e usava saias abaixo do joelho que a faziam parecer ainda mais maltratada. Mas, para Bianca, a menina que a esperava na janela com ansiedade, aquela senhora era a visão da felicidade: linda, divertida e forte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rita era sua avó. Sexta-feira era o dia que ela chegava. Podia fazer o tempo que fosse, Rita podia estar se sentindo mal, nada a impedia de, toda sexta, deixar a casa dos patrões para passar o fim de semana com a única neta que Deus havia lhe dado. Mãe de cinco homens, Rita sentia através da neta a possibilidade de recuperar toda a feminilidade que ela , por força da vida, foi deixando pra lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ela é menina. Merece a delicadeza. Vocês não precisavam disso — dizia para os filhos, com quem sempre foi o que gostava de chamar de firme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Homens não choram! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a Bianca, toda sorte de mimos era possível. E a menina adorava roupas novas, de preferência as que precisavam de algum ajuste. É que o ato de acertar uma barra ou afinar a cintura de um vestido era sempre uma festa. Rita colocava Bianca sobre uma cadeira e as brincadeiras começavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Fica quieta, menina, senão sem querer eu te espeto! — dizia, dando risada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Bianca se desmanchava de alegria e de encantamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada, porém, deixava Bianca mais feliz do que o momento de chegada da avó à sua casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Morávamos no último sobradinho de uma vila particular. Da janela do meu quarto, eu via a ruazinha de paralelepípedos que ligava o resto do mundo ao pátio da vila. E de lá eu via aquela figura miúda chegando. Só aquela visão me excitava: corria para preparar-lhe uma surpresa. E me escondia no melhor lugar da casa: embaixo do lençol. Acreditava que desaparecia. As crianças acreditam que, sob o lençol, a cama fica lisa. E eu ficava na expectativa, ouvindo seus passos subirem a escada, ela entrar no quarto e perguntar por mim. Alguém dizia que eu tinha saído, e ela se sentava sobre mim, e eu ria e dizia: “Vó, estou aqui”, e ela se fingia de surpresa. Ríamos a valer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre quando Bianca conta essa história ela se emociona. Chega a chorar e não sabe direito o porquê: se é saudades da avó ou daquela menininha que acreditava que o lençol sobre ela era o esconderijo perfeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É que hoje sei que os esconderijos perfeitos não existem. E que também não existe mais a menina. Só existe a mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado na Diário DEZ! em 13 de julho de 2008.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-5626988180733290956?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/5626988180733290956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=5626988180733290956' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5626988180733290956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5626988180733290956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/04/embaixo-do-lencol.html' title='Embaixo do lençol'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-9068016992868070509</id><published>2011-03-28T19:24:00.000-07:00</published><updated>2011-03-28T19:24:33.106-07:00</updated><title type='text'>Um prêmio da vida</title><content type='html'>&lt;div&gt;Eles chegam à padaria todo dia muito cedo. Vêm de carro e param do outro lado da rua. Ele se preocupa em sair mais rápido, para a acompanhá-la enquanto ela deixa o carro. Deixa a mulher seguir um pouco à sua frente, sempre observando os lados, para garantir que a rua está livre para ela atravessar sem perigo algum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias eu os encontro na padaria. Deise é discreta. Usa sempre calças em tons escuros, blusas de cores neutras, sem decotes. Não é bonita. Mas é altiva, imponente. Com 38 anos, mede 1,70, é magra, tem cabelos muito pretos, que usa na altura dos ombros, e ostenta traços orientais. Foram eles que um dia chamaram a atenção daquele homem. Adilson não é oriental, nem descendente. Seus avós vieram da Espanha e de Portugal. É bem mais baixo que Deise, tem cabelos totalmente brancos e já alcança os 50. Usa terno, camisa bem passada, às vezes gravata, e é muito mais falante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aparentam nada em comum. Mas quem os vê juntos não tem dúvida de que foram feitos um para o outro. Adilson sempre se sentiu atraído por orientais. Já na adolescência, época em que rapazes e moças gostam de definir seus “tipos preferidos”, as meninas de olhos puxados chamavam sua atenção. Nunca, porém, conseguiu conquistar o coração de nenhuma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Dizem que os japoneses são tímidos. Mas eu é que travava na frente de uma japonesa. Elas me intimidavam — lembra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi só na maturidade, quando já tinha fama de tio solteirão, que Adilson teve coragem para abordar uma japonesa que o atraía: Deise, a vizinha do apartamento da frente. Ele a conquistou com uma atenção contínua, um apoio sem cobranças, uma delicadeza em qualquer situação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, ela é a sua vida. Para ele, cada movimento dela é como um prêmio. Tem por ela um amor tão grande que dá medo: o que pode ocorrer se um dia Deise, tão dona de si, descobrir outro rumo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, porém, tal possibilidade parece que não existe. Adilson acredita que a delicadeza na vida rotineira é a diferença que pesa para o bem na hora que as crises reais ameaçam uma relação. Para ele, o cuidado diário com o outro é um tipo de crédito que ameniza os problemas, que inevitavelmente chegam à vida de todos. Deise gosta disso, e aceita os cuidados do marido sem restrições. Quando entram na padaria, ele com a mão esquerda tocando levemente a sua cintura, o balconista já sabe o que preparar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Dois pãezinhos na chapa — grita para o chapeiro, enquanto serve os dois pingados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adilson, então, pega os copos quentes e os leva até a mesa onde Deise está. Ela retribui com um sorriso. Sem pressa, tomam o café, pagam a conta e saem. De lá, cada um seguirá a pé para seu trabalho. No tchau rotineiro, Adilson a abraça de leve, a beija com um toque nos lábios e deseja: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Um grande dia para você. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado na revista Diário DEZ! em 6 de julho de 2008 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-9068016992868070509?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/9068016992868070509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=9068016992868070509' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/9068016992868070509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/9068016992868070509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/03/um-premio-da-vida.html' title='Um prêmio da vida'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-218003773606501046</id><published>2011-03-20T18:16:00.000-07:00</published><updated>2011-03-20T18:16:15.499-07:00</updated><title type='text'>Um homem perfeito</title><content type='html'>&lt;div&gt;Marcela não sabia se queria só sexo ou se buscava um novo amor. Tentava de toda forma separar as duas coisas, como se isso fosse totalmente possível. O fato é que estava só, carente de corpo e também de alma quando encontrou Antero naquele desfile de modas. Ele era alto, magro, tinha o cabelo meio grisalho e um pouco comprido, que mantinha preso em um rabo de cavalo. Vestia um conjunto de roupas sóbrias, peças de grifes clássicas. Sua educação também parecia impecável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Um gentleman — me disse Marcela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antero tinha 14 anos a mais do que ela. Não que a diferença de idade fosse determinante para Marcela se envolver com alguém. Mas ela havia estado casada por sete anos com um cara sete anos mais jovem. Além disso, seu ex era baixo, meio gordinho e careca, e só usava roupas compradas no Brás. Ou seja, na cabecinha de Marcela, Antero era o que ela buscava: o exato oposto do seu ex. E ainda havia a chance de ele lhe proporcionar uma irresponsável aventura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ele é demais! Parece assim o... Harrison Ford no “Indiana Jones 4”. Só não entendi direito o que faz. Acho que não é nada do bem. Deve ser contrabandista. Isso tudo é tão emocionante! — falou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcela estava numa fase muito suscetível a novas paixões. Em um ano de separação, era o quarto homem perfeito pelo qual se apaixonava, número um tanto alto para uma mulher de quase 40 que, teoricamente, devia ser mais madura. A empolgação pelo novo caso era exagerada. E, talvez, perigosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E vocês se conheceram como? — quis saber. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ele estava sozinho no desfile e sentou do meu lado. Entende tudo do assunto. Tecidos, cortes, combinações de cores, os nomes dos estilistas. Nunca conheci um homem de verdade que soubesse tudo de moda! Quando perguntei se era do ramo, disse que não, que comercializava pedras preciosas em todo o continente. De lá, saímos para comer e, depois, esticamos até um hotel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E como foi? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Perfeito! Eu fui às alturas. Ele é muito gostoso. Tem um corpo, um jeito, uma mão e... — o rosto de Marcela mudou de repente e a empolgação murchou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E o quê? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É que, apesar de ter sido maravilhoso, o negócio, bem... não funcionou. Era enorme, lindo, mas não funcionou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ué, não entendi. Você disse que foi perfeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas é por isso que eu tenho certeza que desta vez estou mesmo apaixonada! Pra mim o sexo vem antes de tudo. Mas o fato de não ter sido completo não teve a menor importância! Continuo louca por ele. Mas, sabe, já fiz uma bobagem: perguntei por que ele não usava Viagra... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Assim, no primeiro encontro?! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É... Ele ficou puto e foi embora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É, baby, nem o homem perfeito, que até de moda entende, agüenta uma pergunta assim, tão indiscreta, de uma mulher que acabou de conhecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Publicamos de 29 de junho de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-218003773606501046?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/218003773606501046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=218003773606501046' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/218003773606501046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/218003773606501046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/03/um-homem-perfeito.html' title='Um homem perfeito'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-1948286142380561731</id><published>2011-03-09T10:08:00.000-08:00</published><updated>2011-03-09T10:08:15.951-08:00</updated><title type='text'>Um solteiro convicto</title><content type='html'>&lt;div&gt;Ele era um homem desprovido de coragem para enfrentar uma mulher. Com quase 50 anos, se comportava como um adolescente quando o assunto era relacionamento. Não que fosse cafajeste ou mentisse sobre o que sentia. Não, Álvares não era assim. Ele sabia se apaixonar e ser romântico como ninguém. Mas simplesmente tinha medo de enfrentar algumas situações. Achava que amar podia ser o fim da sua natureza. Solteiro convicto, dizia temer o fim da sua liberdade, que ele preferia chamar de “vida errante”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álvares tinha um dom muito particular: um charme imbatível, que envolvia mulheres de todas as idades, tipos e classes. Só que, após a emoção da conquista e um tempo de convívio, ele não sabia o que fazer: o mesmo charme que o beneficiava se transformava em um peso. É que tal talento mantinha junto dele a mulher que ele já queria afastar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Álvares fazia, então? Se calava. Ele preferia fugir a ter que enfrentar uma mulher para dizer um singelo “acabou”. Nem sempre Álvares enjoava rapidamente de uma mulher. De acordo com a inteligência dela, o caso durava mais, ou menos. Valorizava boas e longas conversas, pois nunca teve paciência para a burrice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A insistência da moça em se meter em sua vida pessoal também podia determinar o tempo do namoro. Esquecer uma escova de dentes na casa dele, por exemplo,&amp;nbsp;era um erro fatal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre casos, namoros e encontros casuais, Álvares se sentia amado e odiado por mulheres que, lógico, nunca o entendiam. Algumas tinham por desafio pessoal mudá-lo. Nenhuma conseguiu. E sua fama de mau caráter era tão grande que muitas já não o levavam mais a sério. Mas ele procurava não se culpar. E, quando sozinho, se jogava nas baladas. E, se cansado, ficava em casa, com sua música e seus livros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que a vida lhe deu um tombo chamado Elisa. Não era só mais um caso. O que o atraía? Ele não conseguia explicar. Álvares, do alto da sua experiência de homem que “sabe como funcionam as coisas da paixão”, se assustou quando percebeu que começava a sentir algo que não conhecia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elisa ria dele e dizia: “É amor, você não percebe?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele reagiu da única forma que sabia: correu para longe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num primeiro impacto, Elisa sofreu como todas. Mas, mesmo conhecendo a fama do rapaz, tinha por ele uma confiança incomum e, quando ele reapareceu (o que não demorou muito tempo), não teve coragem nem vontade de rejeitá-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, os dois vivem um vai-e-volta sem fim. Seu primeiro encontro já tem mais de um ano e eles ainda não se acertaram. Mas Elisa já não se preocupa mais com os sumiços de Álvares. O conhece pelo tom da voz, ri de suas fugas e zomba da sua falta de coragem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pelo jeito como fala ao telefone já sei que vai me dar um nó. Para não enfrentar uma situação, é capaz de dizer que tem que levar a mãe ao zoológico”, ela diz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que ele ainda tem a ilusão de fugir do que sente. Mas, por mais que de vez em quando ainda tente, não consegue tocar a vida sem o bom humor e o sabor doce de Elisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado em 22 de junho de 2008 na Diário DEZ! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-1948286142380561731?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/1948286142380561731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=1948286142380561731' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/1948286142380561731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/1948286142380561731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/03/um-solteiro-convicto.html' title='Um solteiro convicto'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-2281620702606382109</id><published>2011-02-20T16:44:00.000-08:00</published><updated>2011-02-20T16:44:34.344-08:00</updated><title type='text'>Uma arma potente</title><content type='html'>&lt;div&gt;As três eram garotas que gostavam de correr riscos. Judite bem que tentava mudar a inclinação até meio suicida da filha Lu e de suas duas melhores amigas, Sara e Diana. Mas nunca teve muito sucesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez, as três haviam decidido conhecer um baile funk no Rio de Janeiro. Judite ficou com o coração na mão, mas como não conseguiu dissuadi-las, achou melhor colaborar. Sabia que o filho de um amigo morava no Rio, e pediu para ele ser o guia das meninas na cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ela só não sabia que, sozinhas, a gente se viraria melhor”, disse Lu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel chegou em um carrão importado no aeroporto para pegar as três moças. De lá, os quatro iam direto para o baile funk no Morro da Mangueira. No carro, a vodca misturada com o flash power era a receita para o esquenta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas, de repente, eles entraram em uma rua errada e o carro foi sacudido por uma rajada de balas”, contou Judite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pânico foi geral. O rapaz achou que tinha levado uma bala nas costas. Não tinha, mas ficou mais desesperado ainda quando olhou para trás e percebeu que os atiradores eram policiais fardados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu estou sem minha carta de motorista”, revelou, branco e quase chorando de medo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As meninas estavam confusas, com o coração a mil por causa do tiroteio, mas não perderam o rebolado. Desceram do carro e começaram a falar sem parar com os policiais, todas ao mesmo tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nossa, que trabuco! Qual é o nome?”, perguntou Lu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que foi esse tiroteio?”, quis saber Sara. “Fizemos algo de errado?”, completou Diana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma blitz de rotina. Os policiais tinham dado sinal para o Daniel parar, mas o rapaz nem percebeu e seguiu com o farol alto. Os tiros foram de alerta, para cima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As meninas se mostraram assustadas. Explicaram que eram de São Paulo e que estavam no Rio para conhecer um baile funk. E que o amigo tinha errado o caminho. Começaram, então, a encher a bola dos policiais: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O trabalho de vocês é muito importante”, disse Sara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E as armas, então! As dos policiais de Sampa são minúsculas”, garantiu Lu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diana pegava na mão de um deles e a colocava no lado esquerdo do peito para que ele pudesse sentir o palpitar acelerado de seu coração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vocês nos assustaram, mas entendo. Têm que proteger a comunidade. Se o PCC fosse daqui, não ia ter vez com este batalhão”, afirmou a moça, já sacando da bolsa uma máquina fotográfica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vamos, gente, temos que registrar esse momento”, falou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os policiais sorriram envaidecidos e posaram sem cerimônia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E, com tanta mulher falando junto, esqueceram de pedir a carteira de motorista do Daniel”, lembrou Judite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E o baile funk?”, eu quis saber. “Ah! Foi maravilhoso! Mas esta é já outra história”, completou Lu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado em 15 de junho de 2008 na Diário DEZ&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-2281620702606382109?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/2281620702606382109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=2281620702606382109' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2281620702606382109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2281620702606382109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/02/uma-arma-potente.html' title='Uma arma potente'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-2015122601091458546</id><published>2011-01-04T13:31:00.000-08:00</published><updated>2011-02-20T16:38:11.182-08:00</updated><title type='text'>Paixão apaziguada</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Lúcia sabia que estava estranha nos últimos dias. O sentimento parecia não ser mais o mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando conheceu Francisco, de imediato soube que aquilo era mais do que uma paixão. Ele não era bonito, não tinha dinheiro, um trabalho fixo ou um futuro promissor. Mas era o timbre da sua voz, o jeito como se deslocava pelo espaço e olhava para o mundo que a encantavam. Não teve dúvidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco também não vacilou. Ela não era delicada, não tinha um corpo escultural, nem os olhos azuis que ele sempre desejou encontrar. Mas, quando estava presente, sua energia o iluminava. Seus olhos eram tão negros que ele se viu refletido neles e, acreditou, não poderia mais deixar de fitá-los. Nunca mais se interessou por olhos claros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiveram primeiro um caso, depois um namoro, até que foram viver juntos. Tinham a ilusão de ter uma relação tão incomum que nunca se permitiram chamar um ao outro de marido e mulher. Se diziam namorados e eternamente apaixonados. O frio na barriga, o tremor nas pernas, o palpitar no coração que marcam o início da paixão eram sinais importantes para o casal. Mesmo com um filho, queriam sempre ter essas sensações dos namorados. E por muito tempo conseguiram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No 12 de junho, a escolha do presente nunca era motivo de dúvida. Por intuição, entendiam o que deveriam dar ao outro. Podia não ser algo útil, mas sempre era um símbolo que expressava o afeto que sentiam e o valor que davam àquela convivência. Por isso, Lúcia se assustou quando sua intuição começou a não lhe dizer mais no ouvido qual era o presente ideal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira vez, tentou não dar muita importância ao fato. Comprou naquele ano um cinto e um par de meias. Francisco até gostou, mas no fundo não entendeu. Depois, nem pensou muito no seu estranhamento e logo o esqueceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, o mesmo incômodo no 12 de junho. E ela percebeu que seu coração não batia mais forte por Francisco. Ela não tinha mais calafrios. O charme que a fazia suspirar era agora um velho conhecido. A paixão estava apaziguada. E se questionou: “Viramos um casal comum? Nada mais nos vai emocionar?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caiu em depressão. Seria aquele o início do fim do eterno namoro? Para Francisco, porém, nada tinha mudado. Ou melhor: nada que tinha mudado significava o fim do sentimento, como Lúcia pensava. É que seu olhar sobre as questões do coração não era tão romântico como o dela. Ele só via vantagens no coração sem palpitações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O amor está mais maduro, mais calmo. Não é um defeito. Mas sim um efeito desse nosso eterno namorar”, ele lhe disse. A explicação a convenceu. E, aos poucos, ela se acostumou com o que chamou de “novo jeito de amar”. Às vezes a sabedoria masculina surpreende. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado em 8 de junho de 2008 na Diário DEZ&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-2015122601091458546?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/2015122601091458546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=2015122601091458546' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2015122601091458546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2015122601091458546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/01/paixao-apaziguada.html' title='Paixão apaziguada'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-4563019620798272572</id><published>2011-01-02T15:34:00.000-08:00</published><updated>2011-01-02T15:34:43.489-08:00</updated><title type='text'>Gosto pela coisa</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado em 1 de junho de&amp;nbsp;2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo Roberto estava disposto a se casar com Bianca. Namoravam havia oito anos. Foi graças a ela que Roberto se separou da primeira mulher. Sueli descobriu que o marido vinha tendo um caso com a sua professora de inglês, moça que era uns dez anos mais nova que ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bianca sempre teve atração por homens mais velhos e ele, dono de uma loja de ferramentas, apesar de casado, sempre se mostrou disponível. Depois da separação, o que era para ser só uma pulada de cerca virou um namoro sério. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça ocupava espaços, “esquecia” objetos seus na casa de Roberto, cuidava de abastecer a geladeira, planejava os fins de semana e, quando ele se deu conta, já falava em casamento. Ele não via forma de escapar. Apesar de, como de hábito, continuar mantendo amantes. Tinha, naquela época, duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;— Não sei ter uma mulher só! — ele me dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;— Ora, então não se case com a Bianca. Pra que vai se comprometer tanto com a menina, que quer uma família, se não pode ficar sem as outras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;— É que ela é uma garota legal, não quero decepcioná-la. E também preciso de uma família. Só que, sabe, ela não gosta muito da coisa... — explicou Roberto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa, na linguagem vulgar de Roberto, era o sexo. Neste dia, meu amigo foi tão honesto que cheguei a ficar assustada. Ele falava assim: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ela só quer transar uma vez por semana. E olha lá, hein? E é sistemática. Tudo tem que ser muito arrumadinho, muito certinho, muito papai-e-mamãe. E se a gente transa no sábado, posso esquecer o domingo. Eu preciso de mais, sabe? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, eu sabia. E Roberto estava precisando ouvir poucas e boas. Não se dar bem na cama com a noiva perfeita não justificava o fato de ele manter outras amantes. Tentei fazê-lo mudar de idéia. Ver os defeitos dele na cama também. Perguntei se eles conversavam sobre o assunto. Se ele tentava estimulá-la. Se, por acaso, não era ele que ainda não havia encontrado a forma de fazer a noiva sentir prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;— Não adianta! Ela é muito fria — definiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casório se realizou um ano depois. Os dois já completaram três anos juntos. Outro dia reencontrei Roberto. O rapaz estava meio abatido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E como está o casamento? — perguntei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ah, está bem. A Bianca já sabe das outras. E até que aceitou bem — ele respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;— Poxa, então o casamento sobreviveu? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É, sobreviveu. Ela quis conhecer as outras, ficaram muito amigas... — revelou, tristonho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E... então? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Agora só saem juntas. Até na cama uma delas ou, às vezes, as duas, têm sempre que estar conosco. Bianca diz que não imaginava que o sexo podia ser tão bom! Comigo apenas, nunca mais. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-4563019620798272572?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/4563019620798272572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=4563019620798272572' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/4563019620798272572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/4563019620798272572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2011/01/gosto-pela-coisa.html' title='Gosto pela coisa'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-5308650740158635147</id><published>2010-11-28T08:03:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T08:03:22.733-08:00</updated><title type='text'>Uma mulher moderna</title><content type='html'>&lt;div&gt;Publicado em 25 de maio de 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teresa era uma mulher moderna. Professora de sociologia, com pouco mais de 30 anos, mãe de um menino de 11, separada do primeiro marido desde os 21, Teresa tinha a convicção de que era uma mulher moderna. E ainda de muita sorte. Afinal, pensava, tinha ao seu lado um companheiro também moderno: o doce Paulinho. &lt;br /&gt;Viviam o que chamavam de amor livre — estavam juntos, mas não abriam mão de outras experiências emocionais ou sexuais, caso aparecessem. Publicitário sem emprego fixo, Paulinho fazia o tipo alternativo. Adorava política, e vivia envolvido em reuniões de partidos de esquerda e em projetos sociais e sindicais. Morava sozinho num sobradinho da Vila Madalena, que mandou pintar de vermelho. Não tinha muitos móveis, mas dizia que possuía o suficiente para viver bem. Seu orgulho era a sua coleção de CDs de rock. Também cultuava uma estante cheia de livros, enfeitada por dois porta-incenso, três cinzeiros, um narguilé e uma caixinha. &lt;br /&gt;Ele e Teresa se conheceram numa tarde de sol, durante um show no Parque do Ibirapuera. Ele estava sozinho e ela com o filho, na época com 7 anos, e algumas amigas. A camisa feita de pano de saco que ele usava logo chamou a atenção da professora, que também adorava roupas do tipo hippie-chique. Logo trocaram telefones, descobriram que moravam relativamente perto (ela vivia em Perdizes) e começaram a namorar. &lt;br /&gt;Foram quatro anos onde tudo parecia perfeito, com idéias e discursos andando juntos. &lt;br /&gt;— A minha relação com o Paulinho é muito madura — dizia Teresa, orgulhosa, sempre que encontrava um grupo de meninas curiosas e ávidas por um bom namoro. &lt;br /&gt;Suas alunas tinham pouco mais de 20 anos, a maioria passando por aquela fase em que tudo do coração é urgente e, ao mesmo tempo, confuso. Para as jovens, Teresa era um exemplo de mulher madura e bem resolvida. &lt;br /&gt;— Vocês, meninas, sofrem por não perceberem que relacionamento tem que ser aberto. Veja eu e o Paulinho. Eu canso dele, às vezes, sabe? E tenho os meus namorados, lógico. Aliás, o Paulinho está precisando namorar. Uma de vocês não quer namorar um pouco o Paulinho? &lt;br /&gt;De tanto oferecer, uma vez, sua aluna Juliana topou a brincadeira. Mas ninguém imaginaria o que viria depois. Aquilo que começou como um empurrão da professora, uma brincadeira para o seu par relaxar e variar, transformou Paulinho. Juliana também gostou do que provou. E o “relacionamento perfeito” escorreu pelos vãos dos dedos de Teresa. Suas convicções sobre o amor livre não lhe serviram para nada. Teresa, que parecia tão equilibrada, enlouqueceu. &lt;br /&gt;— Julianinha, sua vagabunda! Você roubou o meu homem! — gritou ela, durante uma madrugada, bêbada, na frente da casa da agora namorada de seu ex. A moça ficou só olhando, escondida atrás da persiana da janela. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-5308650740158635147?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/5308650740158635147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=5308650740158635147' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5308650740158635147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5308650740158635147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2010/11/uma-mulher-moderna.html' title='Uma mulher moderna'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-5536544798621336056</id><published>2010-11-23T05:34:00.000-08:00</published><updated>2010-11-23T05:34:51.047-08:00</updated><title type='text'>Eles seriam felizes</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado em 18 de maio de 2008 da Diário Dez&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andréia tinha certeza: César fez o que era certo. Silenciou. Desapareceu. Na época, ela ficou triste. Aquele encontro, o primeiro depois de 25 anos, era o prenúncio de algo. Mas não devia prosperar. &lt;br /&gt;Andréia e César eram colegiais quando namoraram. Juntos, conheceram o amor. Estavam apaixonados. Mas ela tinha 15 e ele, 18. E a família de César decidiu mudar de estado — o romance passou a ter data e hora para acabar. &lt;br /&gt;Ficaram tristes, mas, na despedida, não houve choro ou promessas. Eram jovens e sabiam que não podiam esperar nada um do outro. &lt;br /&gt;Durante dois anos, trocaram cartas e cartões de Natal. Mas, aos poucos, o distanciamento foi inevitável. A vida lhes deu uma profissão, casamento e filhos. &lt;br /&gt;César se formou em Medicina. Andréia partiu para a Arquitetura. Nunca, porém, se esqueceram. &lt;br /&gt;Um dia, por curiosidade, Andréia procurou o nome de César na internet. “E descobri o e-mail dele!”. &lt;br /&gt;Mesmo com o coração acelerado, ela enviou uma mensagem cuidadosa, pois não sabia em que tipo de pessoa César tinha se transformado. Minutos depois, veio a resposta. &lt;br /&gt;“Não acredito. É você mesmo? Que surpresa feliz!”. &lt;br /&gt;Ficou decidido que iam se encontrar. Em duas semanas, ele participaria de um congresso e marcaram um almoço. &lt;br /&gt;Na véspera, eles mal dormiram. Pela manhã, não fizeram nada direito. Meio-dia em ponto ela estava no saguão do hotel onde era o encontro. Ele já a esperava. Um se jogou nos braços do outro. &lt;br /&gt;--Foi como um impulso. Era pura saudades”, ela lembra. &lt;br /&gt;Caminharam até um restaurante ali perto, escolheram uma mesa ao lado de uma janela e começaram a contar o que fizeram da vida. Mostraram fotos dos filhos (cada um tinha dois) e dos companheiros e falaram de suas conquistas e perdas. E, em cada palavra, um percebia que o outro era feliz. Relembraram dos tempos de namoro e, quase ao mesmo tempo, pensaram: “Nós, juntos, também seríamos felizes”. &lt;br /&gt;Num dado momento, sem que ela esperasse, César colocou a mão sobre a mesa e tocou a dela. Seus corpos tremeram. &lt;br /&gt;Ao voltarem para o hotel, ele pôs o braço sobre os ombros dela e disse: “Eu não contei pra minha mulher que eu ia encontrar uma amiga”, ele disse. Andréia sorriu sem jeito porque, na sua casa, também havia feito segredo sobre o encontro. &lt;br /&gt;A hora voou e eles tinham que voltar aos seus compromissos. Para ela, foi difícil entrar no táxi e deixá-lo novamente. Prometeram se ver mais e trocar mensagens. Ele pegaria o vôo para casa naquela noite. Depois de mais um longo abraço, Andréia entrou num táxi. Olhou para trás e acenou, até perdê-lo de vista. &lt;br /&gt;Já se passaram três anos. Ela nunca mais soube dele. &lt;br /&gt;— O que acha que aconteceu para ele nunca ter dado notícias? — eu lhe perguntei outro dia. &lt;br /&gt;Sem nenhuma mágoa ou tristeza, ela respondeu: &lt;br /&gt;— É que ele sabia que, se começássemos, nunca mais pararíamos. &lt;br /&gt;:-)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-5536544798621336056?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/5536544798621336056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=5536544798621336056' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5536544798621336056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5536544798621336056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2010/11/eles-seriam-felizes.html' title='Eles seriam felizes'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-1648627688912661100</id><published>2010-11-11T09:36:00.000-08:00</published><updated>2010-11-11T09:36:53.906-08:00</updated><title type='text'>Saudades da vida</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado na revista Diário Dez em 11 de maio de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era mulher de 47 anos. Solteira por opção, Lenice era feliz: realizada no trabalho, vivia bem com a família e cercada de amigos. Mas (sempre há um mas), apesar de estar bem, às vezes caía numa certa melancolia. &lt;br /&gt;Sentia um não-sei-quê de tristeza sem motivo, mais parecido com uma saudade de algo que não conhecia. Ao mesmo tempo, a sensação intuitivamente lhe dava uma estranha esperança por algo que não tinha a menor idéia do que podia ser. &lt;br /&gt;Mais jovem, Lenice pensava em se casar. Sonhava com o vestido branco, a igreja enfeitada de flores, a lua-de-mel, a casa própria decorada do seu jeito. Mas, para ela, tudo isso só tinha lógica se fosse ao lado de um par perfeito. &lt;br /&gt;Seu sonho, porém, nunca deu certo. Não aceitava traições e conheceu várias. E preferia se afastar quando o relacionamento começava a se transformar naquele jogo de inevitáveis ataques deliberados, iniciado sempre quando um parceiro quer magoar o outro. &lt;br /&gt;No fundo, Lenice alimentava o sonho de encontrar um amor, mesmo sabendo que era um desejo que parecia adolescente e romântico demais para quem tinha 47. &lt;br /&gt;Há pessoas que descobrem o amor de forma inesperada. Tem quem, num curto espaço de tempo, vive um romance intenso e sem pudores. E pares que, assim que se conhecem, parecem companheiros de longa data. &lt;br /&gt;Foi um amor com todas estas características juntas que Lenice viveu. &lt;br /&gt;O namoro começou num domingo, graças a uma amiga que lhe apresentou um colega de trabalho, Caetano.&lt;br /&gt;“Eu já estava desencanada e pensei: ‘Mais um que vai virar amigo’. Mas conheci mesmo foi o meu príncipe encantado”, me contou outro dia. &lt;br /&gt;A atração entre os dois foi imediata. Olhares curiosos, conversa mansa, desejo. &lt;br /&gt;Lenice viu partir daquele homem uma ternura que não conhecia. E, depois daquele dia, pareciam estar juntos desde sempre. Famílias se conheceram, novos laços se formaram, e uma felicidade nunca vivida parecia que nunca ia acabar. Lenice lembrava-se da velha melancolia e sabia: “Era dessa vida que eu sentia saudades”.&lt;br /&gt;Seis meses depois de se conhecerem, eles foram atropelados por uma realidade trágica, mais parecida com um drama de cinema: Caetano caiu doente. E não era uma bobagem, mas um mal incurável no estômago.&lt;br /&gt;Nos três meses seguintes, Lenice praticamente não saiu de seu lado. E, a cada dia, ela acompanhava a dor do homem que amava sabendo que, aos poucos, ele morria. A ela só cabia esperar. &lt;br /&gt;Caetano se foi há um ano. Lenice tenta tocar a sua rotina. Mas, depois da morte, a velha melancolia voltou a aparecer. Agora, porém, ela sabe do que sente saudades. &lt;br /&gt;“Vivemos nove meses como se fossem uma vida inteira e intensa. E eu me sentia mulher dele, de verdade. Sei que encontrei um amor que poucas pessoas sentem, um amor que transcende o corpo e o sexo”.&lt;br /&gt;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-1648627688912661100?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/1648627688912661100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=1648627688912661100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/1648627688912661100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/1648627688912661100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2010/11/saudades-da-vida.html' title='Saudades da vida'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-2695322948927556488</id><published>2010-11-11T09:28:00.000-08:00</published><updated>2010-11-11T09:28:11.395-08:00</updated><title type='text'>Após a meia-noite</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado em 04/05/2008&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariana tinha pouco mais de 14 anos quando descobriu que estava grávida. Não sabia quem era o pai. Estava louca no dia. E se desesperou tanto que pensou em abortar. O que faria com o bebê? O que seria de sua vida? &lt;br /&gt;Mas, aos poucos, foi gostando da idéia de ter um pequeno ser para cuidar. Soube pelo ultra-som que seria uma menina. E, numa noite, depois de sentir pela primeira vez a criança mexer em seu ventre, lhe fez a seguinte declaração: &lt;br /&gt;“Agora que passou o medo do escuro da meia-noite, posso dizer que aceito ser sua mãe. Serei uma mãe precoce, você sabe, mas, no futuro, a gente poderá ir juntas a algumas baladas. Só não vou me drogar tanto como já fiz. Mas talvez você, algum dia, tenha que me carregar para casa. Prepare-se. &lt;br /&gt;Nos primeiros dias da gestação, chorei muito de desespero. Não se entristeça por isso, porque já passou.&lt;br /&gt;Nesta tarde, senti você se mexer na minha barriga e nunca senti emoção e felicidade iguais. &lt;br /&gt;A partir de hoje, vou colocar ao lado da barriga uma música legal pra você escutar toda noite e já ir se acostumando a sons de qualidade. Talvez algum rock progressivo, ou algo de Toquinho — ainda vou escolher —, mas você terá uma música para não se esquecer. &lt;br /&gt;Tentarei ter um parto normal, mas, se na hora o médico disser que você corre riscos, permitirei a cesariana sem vacilar. &lt;br /&gt;Pretendo lhe amamentar até os 2 anos, pra você crescer forte. E vou sempre te ninar no colo, tenha certeza, cantando baixinho a mesma canção que vou escolher daqui a pouco. &lt;br /&gt;Mas não pense que sua vida será só moleza. Você não terá tudo o que quiser, e nem na hora que quiser. Quanto mais espernear, mais dura serei. &lt;br /&gt;Vamos brigar a partir do momento em que você começar a andar, mas nunca vamos dormir sem nos falar, sem trocar beijos e afagos. &lt;br /&gt;Você também não vai comer só tranqueiras. Não sei como farei isso, porque eu mesma adoro doces e salgadinhos, mas resistirei por você. &lt;br /&gt;Quando entrar na escola, estarei ao seu lado nas lições de casa, irei às reuniões chatas de pais e babarei nas festinhas de final de ano, vendo você fantasiada de flor ou de borboleta, dançando sem jeito. &lt;br /&gt;Seremos cúmplices, tenho certeza. Mas acho que na sua adolescência vou me atrapalhar, como minha mãe se atrapalha comigo. Como não brigar e não querer que você faça o que eu acho certo? Como evitar que caia nas mesmas ciladas em que eu caí, confiar na vida e deixar você seguir o seu caminho? &lt;br /&gt;É, não vai ter jeito! Na idade adulta, você terá que me perdoar por todas as discussões feias que teremos. Mas vou preferir mil vezes pagar um terapeuta, com quem você falará sobre nossa tumultuada relação, do que perder você para sempre”. &lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-2695322948927556488?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/2695322948927556488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=2695322948927556488' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2695322948927556488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2695322948927556488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2010/11/apos-meia-noite.html' title='Após a meia-noite'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-5210924135665620400</id><published>2009-12-03T14:15:00.000-08:00</published><updated>2009-12-03T14:15:37.443-08:00</updated><title type='text'>Poço de perfeição</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado em 27 de abril de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho parecia ensurdecedor. Mas eram só os ouvidos dela. Um caminhão, um ônibus, carros pela avenida faziam os movimentos banais do cotidiano e, no meio deles, Maria empurrava o carrinho do seu bebê. &lt;br /&gt;Ela decidira dar um passeio com a menina pelas calçadas desniveladas do bairro. Ela avançou insistente até a esquina. Mas lá, em um metro quadrado, ela se perdeu. &lt;br /&gt;O que lhe tomou? Que sensação foi aquela? O barulho de dentro era mais forte que o barulho de fora. Maria enxergava os movimentos como se fossem editados em takes rápidos. Era tudo superlativo e, ao mesmo tempo, era como se ela fosse transparente. &lt;br /&gt;Ela se sentia profundamente só. No carrinho, a bebê não chorava, mas a olhava como uma estrangeira pedindo ajuda. &lt;br /&gt;Maria não conseguia avançar. Estava alucinada. Dava passos desequilibrados, olhava para o alto e para os lados e tudo o que conseguiu foi recuar e fugir empurrando o carrinho de volta pelo caminho. &lt;br /&gt;Aquela sensação durou eternos segundos. E, o mais curioso é que, naquele momento, Maria ainda não sabia. Ela realmente não imaginava. Mas, talvez, ao seu coração, a mensagem já estivesse dada. &lt;br /&gt;O que viria? A notícia do mal congênito de sua filha recém-nascida, uma doença incurável. E, junto, viriam o medo, a dúvida, a luta, a dor, os vômitos, os olhares de pena, os exames, as febres, os aparelhos, a esperança e, por fim, a morte da criança aos 2 anos. &lt;br /&gt;Mas, naquele dia, naquela esquina, no meio da fumaça, ela ainda não sabia. &lt;br /&gt;Após a morte, não veio o choro, o desespero. Veio o trabalho, o trabalho e o trabalho. E a obrigação auto-imposta de consolar os outros. &lt;br /&gt;Ela não podia esmorecer, não podia fraquejar. Porque, se caísse, nada sobraria ao seu redor, acreditava. E ela continuou. &lt;br /&gt;Nem os outros filhos a fizeram parar. Tudo tinha que estar certo, no lugar: contas em dia, geladeira cheia, casa limpa, sem respirar ou olhar para os lados, continuar. Não havia mais poesia, música ou leveza. Só o que havia era a obrigação de fazer, até com uma certa alegria, uma felicidade orgulhosa, fria e um pouco amarga. &lt;br /&gt;Até que, com os filhos adultos, a própria vida a chacoalhou. Todos se afastaram: não agüentavam mais viver com o “poço de perfeição”. &lt;br /&gt;E só então, na solidão, Maria percebeu que não havia superado a morte da filha: só tentou enganar a sua dor. E resolveu olhar mais para ela. Lá dentro, se assustou ao encontrar um ser desconhecido e se impressionou com o seu próprio tamanho. Porém, vislumbrou possibilidades múltiplas. Só tinha que virar a chave, abrir a porta do seu coração. &lt;br /&gt;Bastaria aceitar a dor? Não, tinha certeza. Ela também tinha que encarar suas verdadeiras fraquezas e virtudes, e, principalmente, ter coragem para recomeçar. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-5210924135665620400?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/5210924135665620400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=5210924135665620400' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5210924135665620400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5210924135665620400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/12/poco-de-perfeicao.html' title='Poço de perfeição'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-261217333756498796</id><published>2009-11-26T17:27:00.000-08:00</published><updated>2009-11-26T17:27:31.244-08:00</updated><title type='text'>O primeiro desejo</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado em 20 de abril de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Oi. Olha, me desculpe por ter demorado tanto a ligar — era Douglas do outro lado da linha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coração de Analice foi parar na boca. Meio seca, ela respondeu: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É. Me disseram que você tinha voltado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É... Aconteceram uma coisas lá no Rio, eu engravidei uma menina. Tive que casar. Mas — ele continuou, com certa doçura na voz — é de você que eu gosto, sabe? Então, não quer ficar comigo mesmo assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analice parou de respirar por alguns segundos. Não podia acreditar na proposta que ouvia. Douglas não dava notícias havia três meses, desde que viajara para o Rio de Janeiro, com a ajuda dela. Na escola, uma amiga em comum acabou lhe contando que ele havia voltado com outra garota. Com raiva, telefonou para a casa dele (tinha ligado só após um mês de desaparecimento, e desistido). E, num dos telefonemas, o próprio atendeu e, ao reconhecer a voz da ex-namorada, desligou apressado. No dia seguinte, ele próprio resolveu telefonar para a moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Douglas e Analice haviam se conhecido em 1984, no feriadão de Independência. Tinham 18 anos. Com ele, Analice entendeu pela primeira vez o que era o desejo. Estavam na praia. Douglas e alguns amigos, numa quitinete alugada. Ela, na casa da família de uma amiga. Numa noite muito quente, com todos os jovens reunidos na sala da quitinete, ela ao lado dele no sofá, a mão quente que subia e descia discretamente pela sua perna lhe fez sentir arrepios que não sabia que existiam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O namoro continuou ao voltarem do passeio. E o desejo só fez aumentar. O casal não se largava. Um dia, ele a levou a um barzinho para casais. O lugar era escuro e cheio de cubículos onde só cabiam duas pessoas, forrados de um veludo preto e fechados com uma cortina também preta. À frente do banco, uma mesinha parecia mais o parapeito de uma janelinha por onde os pedidos eram feitos e entregues. Para chamar o garçom, havia um botão que, ao ser apertado, acendia uma luz do lado de fora. Naquele cubículo, sem nenhum pudor, a garota perdeu a virgindade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em janeiro de 1985, Douglas, mesmo sem trabalho ou dinheiro, a convidou para ir ao Rock in Rio. Analice era maior, mas o medo da reação de seu pai a fez recusar. Mesmo assim, arrumou dinheiro para o namorado seguir na aventura, certa de que ele voltaria em fevereiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas ele só voltou em abril, casado e com a maior cara de pau do mundo. Quando ouvi a proposta de ser sua amante, só consegui responder: quero que você morra! — Analice me contou outro dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E você, não se arrepende de ter perdido a virgindade naquele lugar? — perguntei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ah! Isso não — me respondeu, meio divertida. — Quer saber? Eu não liguei nada pra esquisitice do barzinho. Pra mim, até hoje, é como se tivesse sido às margens da Lagoa Azul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É. A paixão cega mesmo as mulheres. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-261217333756498796?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/261217333756498796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=261217333756498796' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/261217333756498796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/261217333756498796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/11/o-primeiro-desejo.html' title='O primeiro desejo'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-8886607816168438452</id><published>2009-11-23T10:35:00.000-08:00</published><updated>2009-11-23T10:35:14.826-08:00</updated><title type='text'>História diferente</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;13 de abril de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da Branca começa como a de muitas mulheres. Ela era muito jovem quando se casou com Leopoldo, já grávida. Primeiro namorado, tinha por ele uma paixão avassaladora. Nos primeiros anos juntos, ela se sentia feliz. Sonhava viver toda vida com ele. &lt;br /&gt;Para ajudar nas contas da casa, abriu um pequeno bazar no bairro onde moravam. Dava duro, mas ganhava pouco. Leopoldo era autônomo. Intermediava a venda de vários produtos, de jóias a equipamentos eletrônicos, e conseguia algum dinheiro. Não faltava o básico na casa. E, quando precisavam de algo a mais, o pai de Leopoldo, oficial aposentado do exército, sempre ajudava. &lt;br /&gt;Tiveram o primeiro filho, um menino, e, dois anos depois, nascia uma garotinha. Após seis anos juntos, conseguiram comprar uma casa. &lt;br /&gt;Leopoldo, porém, começou a mudar. Ele já não era carinhoso. Conversava pouco e voltava tarde. Quando ela perguntava o que acontecia, acabavam brigando. &lt;br /&gt;Branca, desconfiada que o marido tinha outra, resolveu investigar. Um dia seguiu Leopoldo e o viu com uma moça, aos beijos, em um bar. Mas não era mulher de escândalos. Voltou para casa chorando e, quando ele chegou, não lhe disse nada. E também nunca mais tentou reconquistá-lo. &lt;br /&gt;Secretamente, Branca planejava uma forma de acabar com seu casamento. Precisava ter dinheiro para viver com os dois filhos — o que ganhava no bazar não os sustentava. Ela também arrumou um amante. &lt;br /&gt;“Foi por vingança. Mas o Leopoldo descobriu e a vida virou um inferno. Ele passou a me humilhar e exigiu a separação. Não adiantou eu dizer que sabia que ele também tinha outra”, me contou Branca. &lt;br /&gt;O marido quis metade de tudo o que tinham. E o bazar teve que ser vendido. Branca sabia, porém, que o pior viria na hora de discutirem a pensão das crianças. Ela não tinha como provar quanto Leopoldo ganhava. E ele já avisara: lhe daria o mínimo possível. &lt;br /&gt;“Ele queria me ver na miséria e fazer as crianças terem raiva de mim”. &lt;br /&gt;Foi aí que Branca fez a sua história ser diferente da de outras mulheres que se separam: no fórum, na hora de definir o valor, ela disse ao juiz: &lt;br /&gt;“Doutor, vou abrir mão da guarda. Não tenho como criá-las”. &lt;br /&gt;Leopoldo ficou pálido: nunca quis ficar com os filhos. Mas seu pai tinha dinheiro e o juiz aceitou. &lt;br /&gt;Muita gente a criticou. &lt;br /&gt;“Como uma mãe abria mão assim dos filhos?” &lt;br /&gt;Mas ela me disse que foi o melhor que podia fazer. &lt;br /&gt;“Eles não passaram pela falta de dinheiro que eu tive que enfrentar. Está certo que cresceram na casa do pai, mas sempre foram muito mais próximos de mim”, conta. &lt;br /&gt;Quando havia algum problema, Branca era acionada por telefone. Aos poucos, ela refez sua vida, reabriu o bazar e hoje tem duas lojas. &lt;br /&gt;“E os meninos, quando puderam, escolheram morar comigo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-8886607816168438452?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/8886607816168438452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=8886607816168438452' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/8886607816168438452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/8886607816168438452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/11/historia-diferente.html' title='História diferente'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-1594894423156525527</id><published>2009-11-05T18:48:00.000-08:00</published><updated>2009-11-05T18:48:48.756-08:00</updated><title type='text'>Um ideal de mulher</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicada em 6 de abril de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Água Funda ninguém a entendia. Nascida e criada no lugarejo, quando voltou, depois de passar mais de dez anos longe, era como se fosse uma desconhecida. Ela fingia desdenhar o que os outros pensavam, mas no fundo sofria com a incompreensão e indiferença de todos. &lt;br /&gt;Aparecida cresceu em uma chácara como uma menina comum do interior. Foi formada pela mãe para ser uma dona-de-casa perfeita: cozinhava como ninguém, cuidava da limpeza sozinha, deixava as panelas brilhando, as roupas lavadas por ela eram as mais brancas e cheirosas da redondeza.&lt;br /&gt;Seus pais seguiam uma cartilha muito comum naquelas paragens — faziam de conta que o mundo fora da sua região não existia. É que não queriam a sua Cidinha experimentando a vida solta, longe de seus olhos. Mas a menina crescia olhando para fora da cerca da chácara. E, secretamente, planejava o meio de conhecer o que havia além do fim da estrada. &lt;br /&gt;O primeiro passo foi fazer uma faculdade na cidade vizinha. Se formou em economia. E, numa manhã, quando os pais acordaram, ela já havia tomado a sua decisão — partiria para a capital do estado. Já tinha emprego arrumado e não havia mais nada que eles pudessem fazer para evitar a sua partida.&lt;br /&gt;Pelos próximos anos, Cidinha seria a referência do lugarejo na capital. Muitas de suas colegas de Água Funda a usavam de exemplo para suas próprias filhas. &lt;br /&gt;“Ela se esforçou para chegar onde está. E não precisou casar. Tem seu apartamento e um bom salário. Não tem essa vida sem sentido que nós temos aqui”, diziam. &lt;br /&gt;Mas, apesar de demonstrar independência, Cida vivia para um namorado. Cuidava dele como sua mulher. Trabalhava fora e cuidava das duas casas: a dele e a dela. Se questionada, dizia que era apaixonada e que iam se casar. Foram sete anos assim: cozinhando, limpando e pagando as contas dele. Até que um dia Cidinha perdeu o emprego e, sem dinheiro todo mês, o namorado também a abandonou. &lt;br /&gt;Em Água Funda, ninguém sabia dessa parte de sua vida na cidade. Por isso, quando voltou para morar com os pais, triste e sem esperança, muita gente torceu o nariz. &lt;br /&gt;O desapontamento geral e definitivo aconteceu, porém, quando ela engravidou de um agricultor sem estudo e resolveu se casar. Daí para a frente, ninguém mais a respeitou. O ideal de mulher independente que ela representava faliu na cabeça do povo da cidade. &lt;br /&gt;Cida, hoje, tem dois filhos. Trabalha como doméstica na casa de uma das famílias mais ricas do lugarejo. Seu diploma está perdido. Ela não reclama. Antes, se conforma. Prefere pensar que viveu só uma aventura na capital. Da antiga paixão, nunca mais ouviu falar. &lt;br /&gt;“O que sou mesmo é uma mulher comum do interior”. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-1594894423156525527?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/1594894423156525527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=1594894423156525527' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/1594894423156525527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/1594894423156525527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/11/um-ideal-de-mulher.html' title='Um ideal de mulher'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-8156964915529534010</id><published>2009-10-29T19:18:00.000-07:00</published><updated>2009-10-29T19:18:10.869-07:00</updated><title type='text'>Olhares virtuais</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicada em 30 de março de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verônica sentou à noite na varanda para sentir o cheiro de biscoito assado no ar. A lua cheia brilhava meio escondida sob as nuvens do início do outono. Havia uma brisa fresca, o que permitia que o cheiro quente chegasse como um abraço.&lt;br /&gt;O cheiro de biscoito sempre a deixava feliz. A remetia a um tempo em que a vida era mais simples e os símbolos das situações, claros. &lt;br /&gt;Na sua infância, cheiro de biscoito significava a hora da parada rápida na brincadeira para o lanche da tarde. Era aconchego e cuidado no sítio dos avós. &lt;br /&gt;Após respirar fundo, Verônica quis mesmo voltar a ser criança. Não conseguia parar de pensar em como os símbolos da vida se complicam conforme as pessoas envelhecem. "Devia ser o oposto. Devíamos crescer aprendendo a simplificar a vida", pensava. &lt;br /&gt;Minha amiga havia superado uma fase difícil. Mas continuava pensativa, refletindo sobre o que tinha lhe acontecido.&lt;br /&gt;Quando descobriu a internet, ela mergulhou no mundo virtual. Todo seu dia era regulado pelo computador. E a convivência com os outros, também.&lt;br /&gt;Primeiro foram os e-mails entre os conhecidos. Depois, cartões e flores virtuais. Enfim, chegaram os amigos e amores que não conhecia. Passou a ser especialista em interpretar o que os outros queriam dizer na net.&lt;br /&gt;— Ele escreveu tudo em letra maiúscula. Está com raiva — disse uma vez, já em pânico com o possível mau humor do seu chefe naquele dia. &lt;br /&gt;— Ele pode só estar com pressa. Não prestou atenção na letra que fez — argumentei, mas ela não se convenceu e sofreu à toa. &lt;br /&gt;Naquele dia, seu chefe chegou de muito bom humor. &lt;br /&gt;Com os amigos virtuais, a situação ficou pior. Ela ficava horas no chat. Depois, vinha mostrar os diálogos que queriam dizer isso ou aquilo. &lt;br /&gt;— Recebi um buquê de girassóis, com uma dedicatória linda! Como são perfumadas! &lt;br /&gt;Eram flores virtuais, mas ela sentia o cheiro delas! Eu lhe perguntava como podia estar apaixonada por alguém que nunca havia visto ou ouvido. Mas ela não me dava atenção. Preferia se entregar ao amor filtrado e revisado da internet. &lt;br /&gt;Um dia, porém, o namorado virtual quis um encontro real. Ela vacilou um pouco, mas topou. Só que tinha que contar para o rapaz sobre o seu problema físico. Quando adolescente, sofrera um acidente de moto e perdera uma perna. &lt;br /&gt;— Contei, Vi. Para ele, isso me engrandece. &lt;br /&gt;No dia seguinte, na hora marcada, o rapaz dos girassóis não apareceu. E nem nunca mais. Verônica chorou um mês inteiro. Mas já superou o trauma e entendeu a experiência como uma lição. Ela sabe que não pode se livrar da internet no mundo atual. Mas aprendeu a fazer questão de sentir cheiros, olhares e, principamente, toques reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-8156964915529534010?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/8156964915529534010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=8156964915529534010' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/8156964915529534010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/8156964915529534010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/10/olhares-virtuais.html' title='Olhares virtuais'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-414299835338496932</id><published>2009-10-21T10:44:00.000-07:00</published><updated>2009-10-21T10:44:06.437-07:00</updated><title type='text'>Mais uma viagem</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado em 23 de março de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela o viu pela primeira vez em uma viagem corriqueira de negócios e, me garantiu, nem lhe prestou atenção. Estavam no mesmo andar do hotel e se trombavam no elevador, no café da manhã, no hall e no bar. Mesmo assim, Marina jura que nem ligou para ele, assim, logo de cara. Marina era paulista, consultora de uma empresa de cosméticos. Tobias tinha assumido a gerência de compras de uma construtora do Rio. Para ela , a viagem era mais uma. Para ele, um desafio profissional que exigia muita concentração. Mesmo assim, traído pelo desejo, não parou de pensar na moça desde o dia em que chegaram e preencheram as fichas no balcão, um ao lado do outro. No elevador, ele tentava cumprimentá-la com um sorriso. Ela mal acenava com a cabeça. No hall, enquanto esperavam táxis para levá-los aos seus compromissos pela manhã, ele puxava conversa, mas ela não lhe dava bola. Foi assim durante toda a semana. Então, na última noite de Marina na cidade, ela estava com uma colega, no bar, quando Tobias se aproximou e se ofereceu para pagar uma bebida. Contou o que fazia, por que estava lá e quis saber: “E vocês, o que fazem aqui?”. Mas, enquanto Gisele respondia, Marina fez questão de não disfarçar um bocejo e anunciar que iria para o quarto. Tobias ficou furioso. Ele só queria conhecê-la e ela insistia com seu ar superior. Naquela noite, nem pensou direito nas compras que deveria fechar para a companhia no dia seguinte. Pela manhã, ela já não estava no café e ele não teve dúvidas: subornou o recepcionista e conseguiu o e-mail pessoal dela. Tinha um plano. De volta ao seu escritório, começou a enviar a Marina mensagens de amor. Em princípio, ela não entendeu direito. Demorou até lembrar quem era o autor. Gisele ajudou: “É aquele cara que você ignorou”. Na verdade, Marina parecia fria porque não estava na sua melhor fase. Acabara de terminar um casamento de sete anos, estava ferida e nada a estimulava para novos amores. E o pouco que ouviu sobre Tobias não era excitante. O rapaz tinha opiniões de direita, gostava de música sertaneja e de filmes de horror. Mas se mostrou um romântico virtual: primeiro vieram os poemas, depois as canções com foto anexada, e ela , que estava mesmo carente, topou encontrá-lo. Ele viria a São Paulo no fim de semana. Chegou sexta, deram um rolé pela Paulista e foram jantar. Depois, seguiram para o apartamento dela e, de lá, só saíram no domingo de manhã para ele pegar o avião. E foi justamente no café da manhã que ele, cruel, contou: “Olha, sou casado”. Marina quase morreu. Mas um fim de semana de sexo de alta qualidade já havia sido o bastante para deixá-la apaixonada e ela topou continuar com aquilo. Ele voltou mais umas três vezes a São Paulo, mas quando ela foi ao Rio, a pressa do rapaz para deixá-la porque tinha que assistir ao balé da filha a arrasou. Aos poucos, as mensagens se transformaram em patadas verbais e foram rareando, até que desapareceram, junto com ele. E Marina, até hoje, chora de saudades. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-414299835338496932?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/414299835338496932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=414299835338496932' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/414299835338496932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/414299835338496932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/10/mais-uma-viagem.html' title='Mais uma viagem'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-3651043492143432942</id><published>2009-10-19T09:46:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T09:48:04.448-07:00</updated><title type='text'>As quatro do Fusca</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado em&amp;nbsp;16 de março de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As quatro do fusca Vera fez a proposta. Queria sair com suas três amigas para ter uma conversa franca. Elas viviam num tempo de sonhos e dividiam um espaço de dúvidas, mágoas e apreensões. E lá foram elas. Vera ao volante do Fusca. Era noite e ela parou o carro em uma praça. Do lado de fora, uma chuva forte; do lado de dentro, vidros embaçados, respiração oprimida, nós nas gargantas. O objetivo: falar abertamente umas às outras sobre o significado daquele homem para cada uma. E ouvir sem rancores. “Eu fui a primeira a falar”, me contou Vera, uns 15 anos depois. Naquela noite, disse às amigas não saber o porquê de ele exercer sobre ela tanta atração. “Simplesmente não consigo lhe dizer não”. Tinha um pouco de vergonha das outras três. Como se o envolvimento com ele fosse uma traição ao grupo. Como se, confessando seu caso, desse a elas a prova para a condenarem. Suzana era a mais tranqüila. Falou de transas que para ela não tinham importância. Ela se entregava por passatempo, ele era mais um na sua vida, não queria magoar ninguém, mas só curtir o sexo livre. “Não entendo as angústias de vocês”. Roberta confessou uma atração platônica, que em princípio a assustou porque há muito o tinha rotulado como pessoa perigosa e mantinha na ponta da língua a lista de seus defeitos. Mas a moça havia tido coragem e conversara com ele sobre o assunto. “Descobri que era só admiração fraternal”. Por último, Lúcia, que sempre parecia a mais frágil e ingênua das quatro, falou que se sentia seduzida, que tinha curiosidade e resolveu experimentar. “Queria provar algo que as outras já haviam provado. Por que eu não posso?” Foi uma conversa tensa e muito não foi dito. “Nenhuma de nós disse se sentia por ele o amor sem dúvida, sem culpa”, lembrou Vera. Não falaram também de como era o sexo com ele. É perdoável, disse para Vera. As quatro estavam saindo da adolescência e não entendiam bem a diferença entre amor, paixão, sexo, sedução e atração. Nada grave, já que várias mulheres envelhecem sem compreenderem como tais emoções são diferentes. Mas o pior é que não falaram de como cada uma se sentia em relação à outra: havia ódio, ciúme, inveja? Solidariedade, compreensão, cumplicidade? “Hoje, pensando bem, acho que o valor daquela conversa foi a tentativa de manter a amizade entre nós. Mesmo um bocado imaturas, a gente queria conviver com honestidade”, me disse Vera. No fim da conversa, elas concluíram, muito ingenuamente, que aquele rapaz tão envolvente era um grande vilão, um manipulador frio. Não deram a ele chance de defesa. Não o chamaram para um enfrentamento. Pouco a pouco todas se afastaram e o deixaram sem nenhuma explicação. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-3651043492143432942?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/3651043492143432942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=3651043492143432942' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/3651043492143432942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/3651043492143432942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/10/as-quatro-do-fusca.html' title='As quatro do Fusca'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-7903263466717253025</id><published>2009-09-13T13:11:00.000-07:00</published><updated>2009-09-13T13:11:45.833-07:00</updated><title type='text'>Sem perder a pose</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Publicado em 9 de março de 2008&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valquíria adora aventuras no trânsito. Se sente livre com o volante na mão, o som tocando alto e a janela aberta para o vento soprar em seu rosto. Quando tinha 19, assim que pegou a carteira de motorista, sentiu pela primeira vez como dirigir poderia ser divertido. Moradora do ABC, ela passou na faculdade em São Paulo: a PUC, em Perdizes. Devia fazer a matrícula, mas nunca tinha dirigido até lá. Então, pediu uma força para o namorado. &lt;br /&gt;— Eu não posso — André foi logo dizendo — Tenho uma reunião às 2h e não dá tempo de voltar. &lt;br /&gt;— Ah, André, vamos lá, dá tempo, sim. Lá, fazer matricula é super-rápido — mentiu. &lt;br /&gt;O rapaz se rendeu. Eles teriam menos de três horas para chegar à PUC, fazer a matrícula e voltar. Só de ida e volta isso dá uns 50 quilômetros. Com trânsito, são pelo menos duas horas de viagem. &lt;br /&gt;Mas André era otimista. Só que, nem 15 minutos de asfalto e ele já tinha se arrependido. &lt;br /&gt;A moça acelerava nas curvas, costurava nas retas e ultrapassava jamantas pela direita. &lt;br /&gt;— Vai pelo outro lado! — ele gritava. &lt;br /&gt;— Mas deste lado não tem ninguém. &lt;br /&gt;André se contorcia no banco do passageiro. Valquíria ria por dentro. E, de propósito, cometia mais barbeiragens. &lt;br /&gt;Quando chegaram à PUC, o rapaz respirou aliviado. Mas o alívio não durou dez minutos. A fila da matrícula tinha umas cem pessoas. André ficou roxo de raiva. Ele ia perder a reunião. &lt;br /&gt;Valquíria não desceu do salto. Foi até a moça que estava na ponta da fila, falou algo em seu ouvido e a garota a deixou passar. &lt;br /&gt;André ficou de queixo caído. Em menos de 30 minutos, estavam prontos para voltar ao ABC. E Valquíria entregou André às 2h em ponto na porta de seu escritório. &lt;br /&gt;Anos depois, Valquíria estava indo para o trabalho. No meio do caminho, liga a sua chefe. &lt;br /&gt;— Oi, você está chegando? &lt;br /&gt;— Estou perto — mentiu (era um velho hábito). &lt;br /&gt;— Temos o almoço com os Gonzales. Vai direto para o restaurante. Meio-dia em ponto lá. &lt;br /&gt;Faltavam 15 minutos. O almoço era nos Jardins, uns 40 de onde estava. &lt;br /&gt;Os Gonzales eram clientes importantes. Levou um ano para conseguirem um encontro com eles. Se atrasasse, seria morta. Mas ela não perdia a pose. Largou o carro no primeiro estacionamento e foi à cata de um motoboy. No posto em frente, tinha um abastecendo. &lt;br /&gt;— Amigo, tenho 15 minutos pra chegar ao Jardins. Estou desesperada. Eu te pago pra me levar. &lt;br /&gt;Ele topou. E lá foi Valquíria, agarrada no desconhecido, sentindo calafrios cada vez que a moto tirou uma fina dos carros. Ainda bem que o motoboy tinha um capacete extra. &lt;br /&gt;Chegaram em 10 minutos. E ela adorou tanto a aventura que, no mesmo dia, se matriculou em uma moto-escola. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-7903263466717253025?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/7903263466717253025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=7903263466717253025' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/7903263466717253025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/7903263466717253025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/09/sem-perder-pose.html' title='Sem perder a pose'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-1995782503824811041</id><published>2009-07-03T12:06:00.000-07:00</published><updated>2009-08-23T15:40:17.428-07:00</updated><title type='text'>Cheiro Irresistível</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado em 02 de março de 2008 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Tudo começou em 16 de março, uma sexta-feira. Daniela estava angustiada e de mau humor naquela noite. Cabeça cheia, sem saber direito o porquê, queria mesmo era ir embora daquela baladinha, chegar em casa, tomar um banho e cair na cama. Mas uma coisa e outra a seguraram no boteco, e ela ficou por lá, meio a contragosto.&lt;br /&gt;Até então, Dani não dava muita bola para o que as pessoas chamavam de destino. Mas, a partir daquele dia, passou a desconfiar que, talvez, demônios e anjos competissem no invisível para mudar de vez as vidas dos humanos aqui da Terra.&lt;br /&gt;A noite avançou para a madrugada e, no meio do burburinho, dois homens se aproximaram para conhecer o grupo em que ela estava. Sem disfarçar sua falta de vontade, ela olhou para eles e disse um frio “muito prazer”. Foi aí que aconteceu.&lt;br /&gt;“Senti um cheiro irresistível”, ela me contou.&lt;br /&gt;Foi como uma vertigem. O perfume misturado ao odor natural do rapaz que acabara de lhe dar um beijo descompromissado no rosto estremeceu as suas pernas. Dani sentiu que conhecia aquele cheiro, mas de fato nunca tinha nem visto o moço.&lt;br /&gt;“Era como se eu houvesse perdido aquele cheiro e agora tinha conseguido reencontrá-lo”.&lt;br /&gt;E ela perdeu a razão. Daniela não lembra o que falou para o rapaz, nem quanto tempo levou até que os dois saíssem do bar sem dar satisfações a ninguém.&lt;br /&gt;“Aquilo foi algo sublime. Sei o que senti: não me importava hora ou o dia, eu queria somente estar mais próxima daquele cheiro. Eu me entreguei, não sei se ao homem, mas com certeza ao cheiro que vinha do seu corpo”, ela me escreveu.&lt;br /&gt;O dia amanheceu e Daniela tinha certeza de que, com um desconhecido, havia vivido a experiência mais intensa e feliz de sua vida. Mas com a luz do sol veio a consciência dos compromissos e Daniela se foi.&lt;br /&gt;“Não dei meu telefone a ele, como seria de praxe. Eu é que queria tomar a decisão de me encontrar com ele novamente ou não”.&lt;br /&gt;O sábado foi de estudos para uma prova na segunda-feira. Os números da matemática se misturavam com as cenas da noite anterior, que passavam em flashes na sua cabeça. No domingo ela já estava louca de vontade de sentir aquele cheiro de novo.&lt;br /&gt;“Liguei para ele e foi melhor ainda. Estava me apaixonando por alguém que não conhecia. E sentia por ele uma confiança insuperável”.&lt;br /&gt;O romance vai completar um ano, firme e forte. Num mundo como o de hoje, onde poucos expõem sentimentos e o medo de se machucar por amor prevalece, Dani me parece diferente: quer compartilhar a alegria do que sente. E me escreve:&lt;br /&gt;“É que, para mim, é uma honra poder dizer algo que é mágico, e que acontece com poucas pessoas na vida. E agradeço por ter acontecido comigo”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-1995782503824811041?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/1995782503824811041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=1995782503824811041' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/1995782503824811041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/1995782503824811041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/07/cheiro-irresistivel.html' title='Cheiro Irresistível'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-5972594794860432209</id><published>2009-07-03T12:05:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T21:03:31.819-07:00</updated><title type='text'>Em primeiro plano</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado em 24 de fevereiro de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O dedo desliza lentamente e então Cássia pode senti-la úmida e quente. “Por que não?”, ela pensa. “Se a minha opção imediata é pela solidão, eu devo me acostumar a tocá-la com mais freqüência. E no sexo solitário pode haver mais prazer do que no sexo sem amor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À mente de Cássia vêm lembranças de toques sutis, palavras doces, situações que a emocionaram. “Isso basta?”, ela volta a se perguntar. E já responde: “Se no momento é o melhor que eu posso fazer por mim, sim, basta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A emoção é um sentimento cruel. Nos abraça, nos chacoalha, nos vira do avesso por dentro, transtorna nosso pensamento. Mas é um tipo de dor que não queremos deixar de sentir. Quando não há mais a emoção, a vida perde o sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cássia decidiu interromper o seu caminho longo e sem emoção. E isso lhe pareceu assustador. Mas o medo foi maior no começo, há alguns anos, quando ela voltou a sentir. Na época, percebeu que existia algo estranho e diferente dentro do seu peito, motivado pela vida fora de sua casa. Ao seu lado, o que tinha era o hábito do convívio na sua família e só. Nada de troca. Nenhum interesse. Nem curiosidade. Só afeto respeitoso e a construção de uma imagem equivocada. E Cássia se envergonhou quando se deu conta de tudo isso. O cotidiano fácil, seguro, cheio de certezas lhe pregou uma peça, a envolveu ao longo da vida e, quando ela se deu conta, o sentir tinha ficado em segundo plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Em que porcaria de mulher moderna eu estava me transformando! — ela me disse um dia, num tipo de desabafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se o movimento foi doloroso, para Cássia, ele também foi necessário. Ela estava tão certa da sua opção que passou a ter orgulho dela mesma. A decisão de se separar, de procurar outra casa para morar, foi muito bem pensada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho foi cheio de altos e baixos, descobertas e decepções, tentativas de recomeços, reencontros e afastamentos. Cássia levou anos para se decidir, sempre dando sinais para o seu marido, pedindo socorro, lançando avisos. Mas ele não percebeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É engraçado como nada acontece da noite para o dia — continuou a me contar. — Achei que nunca chegaria a isso, ao rompimento, mas o limite se deu e não há agora uma segunda via. Também não há como voltar atrás. No meu caso, não há culpados, nem responsáveis. Só existe uma pessoa, eu, pensando, querendo, desejando e decidindo o que é melhor pra mim. E sou capaz de chorar de contentamento ao perceber que, pela primeira vez, vou de fato colocar a minha vida nas minhas mãos. Mesmo que para isso o sexo tenha que ser solitário por algum tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-5972594794860432209?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/5972594794860432209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=5972594794860432209' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5972594794860432209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5972594794860432209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/07/24-de-fevereiro-de-2008.html' title='Em primeiro plano'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-7354156503609457165</id><published>2009-04-19T19:37:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T20:58:05.184-07:00</updated><title type='text'>O estabelecimento de Gil</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado em 17 de fevereiro de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilvaneide tinha um estabelecimento. Decidiu montá-lo em Piriquara, interior de Pernambuco, quando voltou de São Paulo. Seu estabelecimento virou um drama familiar. “Que horror o que Gil faz”, afirmam suas tias. “Não sei por que esse Carnaval. Ganho dinheiro honesto e ainda emprego um primo e uma sobrinha”, diz a moça. O primo é o segurança. A garota serve as mesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que o estabelecimento é um puteiro disfarçado de lanchonete, com quartos na parte de cima. “Elas só me pagam o aluguel”, explica Gil, pra então acrescentar que as meninas também têm que pedir bastante bebida e porções para os clientes pagarem a conta. “Na bebida delas ponho refrigerante. É o meu lucro”, confessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há amigo ou parente que vá a Piriquara que não queira dar uma passada no estabelecimento. As respectivas mulheres juram vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando moça, Gil já tinha fama de doida. Teve problemas, mas alcançou uma vida normal. Dizem que uma tragédia pessoal “virou a sua cabeça”. Mesmo assim, não a perdoam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 17, Gil saiu de ônibus escondida de Piriquara e desembarcou no Recife. Como seu sonho era mesmo conhecer São Paulo, fez uns bicos de faxineira, comprou uma blusa de lã e um guarda-chuva e baixou na Terra da Garoa. Sem demora arrumou um emprego de doméstica, com carteira assinada e moradia garantida. Aí, conheceu um rapaz, pegou barriga, perdeu o emprego e foi morar com ele. Estava com 21. Nasceu Renato. E o rapaz, após ver o bebê, desapareceu. Sem emprego nem casa, Gil entrou para o movimento sem-teto, invadiu um terreno na Zona Leste e acabou ajudando a construir um novo bairro na periferia. Viveu assim durante anos, sozinha com o filho, mas feliz por ter conseguido sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, Renato, que quase nunca saía de casa, brincava na calçada. Um carro entrou na rua em alta velocidade, perseguido pela polícia. O motorista, um ladrão, perdeu o controle e atropelou o menino, que tinha 10 anos e morreu na hora. Quando olhou para o bandido, Gil reconheceu o pai do garoto. E enlouqueceu. Passou a se esconder nos armários. Depois, ficava acordada até tarde esperando o menino voltar. Foram anos de tristeza, até que decidiu voltar para Piriquara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E o que vai fazer lá, Gil? — eu quis saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Vou montar um puteiro, ora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas justo um puteiro, mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É que esse é o melhor jeito que arrumei para me vingar de Deus.&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-7354156503609457165?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/7354156503609457165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=7354156503609457165' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/7354156503609457165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/7354156503609457165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/04/o-estabelecimento-de-gil.html' title='O estabelecimento de Gil'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-2749709870325516709</id><published>2009-04-19T19:03:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T14:32:25.411-07:00</updated><title type='text'>Sem Melar a Voz</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado em 10 de fevereiro de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José não entendia Magali. Ele até percebia que ela era uma mulher incomum, que não podia tratá-la como outra qualquer, mas insistia em colocá-la na mesma categoria de várias de suas amigas e ex-namoradas. Na verdade, ele tinha medo dela. Porque sua intensidade era mesmo assustadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magali era engraçada. Não falava muito, mas tinha convicções avançadas para o seu meio. Adorava prestar atenção às reações sutis que as pessoas tinham com os fatos do cotidiano. “É aí que elas mostram o que de verdade são”, dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro, por exemplo, do horror que demonstrava por mulheres que melavam a voz quando se dirigiam ao namorado em público. Dizia que faziam isso só para marcar presença, mostrar para as outras fêmeas que aquele macho tinha dona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Que implicância! Isso é tão comum! — eu lhe dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas repara como é ridículo ver uma menina chegar pro namorado no meio da roda de um bar e falar assim, com aquela voz chorosa, batendo de leve a mão na cadeira do lado: “Ah, amor, senta aqui...”. Constrange qualquer um. Dou toda a razão quando o cara ignora — ela respondia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lógico que Magali gostava de rompantes românticos. Adorava o amor privado, as juras secretas, os jogos de sedução, o cuidado sutil que, defendia, um sempre devia ter com o outro. Só não gostava das demonstrações públicas exageradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O compromisso tem que ser leve, não pode paralisar nenhum dos dois — pregava, sem vergonha de ser piegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estava no meio de um grupo, queria estar solta, misturada à multidão, livre para mexer com quem quisesse e também para receber elogios, agrados, olhares. O problema é que os homens que conheceu, até os que se diziam muito liberais, sempre acabavam em crises de posse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Por que, entre casais, um sempre tem que querer sufocar o outro? — questionava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, brigou com um namorado porque, em uma churrascada, foi abraçá-la e beijá-la, perguntando por que o estava ignorando. “Parecia que eu era um troféu!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhava com um amor aberto e tranqüilo. Alguém em quem pudesse confiar, que também confiasse nela e pronto. O tempo de se ver seria o tempo possível, porque os dois saberiam que não havia motivos para preocupações sem fundamentos. Queria ser, sim, paparicada e paparicar, mas não admitia depender de nenhum homem e não queria que ele dependesse dela para viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coitado de José! Acostumado com garotas que se esforçavam para parecer avançadas, Magali o assustou. Tanta liberdade era demais. E o romance dos dois, sem nenhuma explicação, acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-2749709870325516709?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/2749709870325516709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=2749709870325516709' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2749709870325516709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2749709870325516709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/04/sem-melar-voz.html' title='Sem Melar a Voz'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-7506285885144052466</id><published>2009-04-19T15:53:00.001-07:00</published><updated>2009-05-02T18:13:05.912-07:00</updated><title type='text'>Os Dois Melões</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SfzvWDxhBjI/AAAAAAAAAFQ/4gQ8hlqnHU8/s1600-h/pretinhobasico2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331399221148976690" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SfzvWDxhBjI/AAAAAAAAAFQ/4gQ8hlqnHU8/s200/pretinhobasico2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado em 3 de fevereiro de 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bianca tem apenas 7 anos. Como toda menininha da sua idade, adora o cor-de-rosa, as fadas modernas que lutam pelo bem da humanidade e as bonecas Barbie. Acho que é efeito da televisão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Penso que também vem daí a sua fascinação pela moda. As roupas que usa têm que ser justas, as cores de cada peça sempre combinando e, de preferência, um detalhe brilhante enfeita o conjunto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Outro dia, Valéria, sua mãe, arrumava-se para ir trabalhar. Tirou do guarda-roupas um vestido tubinho preto, com uma estampa de galhinhos de flores miúdas, brancas, bem básico e discreto, herança de uma tia querida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sentada no sofá, vendo desenho animado, Bianca olhou, avaliou e disparou: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Mãe, você parece uma velha com esse vestido... Não combina! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A garotinha de 7 anos pegou a mãe no fígado! Há meses ela estava com a sensação de que aquele vestido de crepe tinha mais cara de senhora-senhora do que de jovem-senhora-que-não-gosta-de-se-vestir-na-modinha-mas-que-também-odeia-cafonices. Mas mantinha por teimosia o modelito pendurado no armário. E, na fase dos 40 que estava, qualquer menção à velhice a deixava enlouquecida de raiva. Então, explodiu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Pô, Bia, eu já desconfiava que esse vestido me envelhecia, faz tempo que não uso, mas você tinha que falar assim, na lata??!! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Não, não, mãe! Tá bom, tá bonito, pode ir com ele! — respondeu, quase pedindo desculpas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Não vou! Quer saber? Vou tirar agora e dar pra alguém! Ó, vou tirar e dar pra babá levar pra mãe dela! Vai servir direitinho na dona Maria! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E a menina retrucou baixinho: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Na minha avó também ia ficar bom... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bianca é assim. Tem opinião formada sobre o que combina com cada pessoa. E, quando se trata de uma mulher, sempre vai indicar o que é mais feminino. É assustador, porém, o quanto a sua própria feminilidade já desabrocha, apesar de ser tão pequena. É como se não visse a hora de ser uma mulher, apesar de adorar ser criança. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Camila, todo mundo diz que pareço com você. Mas você é tão linda! — disse outro dia para a prima, que é realmente o que chamam por aí de mulherão. Tem 22 anos, é naturalmente loira, alta e de corpo torneado por 15 anos de ballet. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Oh, querida, a mais linda é você! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Não, não! É você — insistiu a garotinha. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Tá, Bia, então me diz por que você acha que eu sou mais bonita do que você? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— É que você tem peitos! — respondeu, fazendo com as mãos aquele clássico movimento de balançar dois melões na frente do corpo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Será que isso também é efeito da TV? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-7506285885144052466?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/7506285885144052466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=7506285885144052466' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/7506285885144052466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/7506285885144052466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/04/os-dois-meloes.html' title='Os Dois Melões'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SfzvWDxhBjI/AAAAAAAAAFQ/4gQ8hlqnHU8/s72-c/pretinhobasico2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-2849892685664782314</id><published>2009-04-19T14:56:00.000-07:00</published><updated>2009-05-02T17:54:09.546-07:00</updated><title type='text'>O Bom Tormento</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/Sfzq77-iAlI/AAAAAAAAAFI/ZLjvCS-MwXc/s1600-h/chuva.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331394374332973650" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/Sfzq77-iAlI/AAAAAAAAAFI/ZLjvCS-MwXc/s200/chuva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado em 27 de janeiro de 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Antonia acordou naquela manhã e não quis levantar da cama. Dormir já tinha sido um sacrifício. Na última noite, havia o barulho da chuva. Antonia sempre adorou dormir com o barulho da chuva no asfalto, os trovões ao longe, as folhas balançando nas árvores, no quintal. Porém, daquela vez, ouvir a chuva batendo na calha foi como ouvir marteladas que a impediam de relaxar. “Onde ele está?”, ela não parava de se perguntar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A chuva insistente tinha decidido não parar e Antonia dormiu com seus pesadelos de sempre. Monstros a alcançavam. Ela corria por um mundo escuro e negro, com árvores centenárias e raízes contorcidas. E sempre tropeçava e escorregava na terra. E, ao acordar, eram só o medo e a solidão doendo na alma. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mesmo quando dormia acompanhada de um de seus casos eventuais, ela tinha o pesadelo e acordava assustada, com a transpiração fria e a respiração ofegante. Aquilo sempre se repetia. E o pior é que nem achava seu pesadelo original. Para ela, sua aflição noturna tinha imagens parecidas com aqueles filmes B americanos e de terror. E Antonia sempre odiou filmes americanos de terror. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Naquela manhã, incomum por causa da chuva que não parava, ela se encolheu ainda mais debaixo do cobertor, apertou seu travesseiro e quis voltar a ser criança. Criança, achou, não pensaria nele. Mas não conseguia ser criança. Sentia como mulher que era. Pensar naquele homem era parte de sua rotina.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ricardo. Acordar com ele todos os dias no seu coração, dirigir a ele o seu primeiro pensamento, suspirar e torcer para encontrá-lo assim, sem querer, pela rua, tomando um café no bar da esquina, no consultório do dentista, no posto de gasolina. Mais que os pesadelos constantes, era esse o seu pior tormento. “É que não só acordo com ele, mas penso nele a toda hora, em várias situações, algumas até sem sentido. Outro dia, tive a certeza de que era ele gritando na calçada as ofertas da semana no maganize que tem em frente ao meu trabalho”, ela me contou. “E por que você não vai fazer terapia? Ou vai enlouquecer”, perguntei. “Eu já faço terapia.” &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entendi que, de fato, Antonia adorava e cultivava tal “tormento”. Porque era tudo o que lhe tinha sobrado de Ricardo: lembranças e fantasias. Ele não havia sido apenas um caso eventual.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com a chuva, tudo era muito doloroso. Antonia suportava a lembrança na rotina, mas a chuva lhe trazia um desejo por algo que não se completou. Algo que ela desejou, mas que não soube como alcançar. Uma culpa sem sentido já que nada acontece fora de sua época. Mas era como se ela já o tivesse perdido. Por onde andaria aquele rapaz? &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-2849892685664782314?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/2849892685664782314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=2849892685664782314' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2849892685664782314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2849892685664782314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/04/o-bom-tormento.html' title='O Bom Tormento'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/Sfzq77-iAlI/AAAAAAAAAFI/ZLjvCS-MwXc/s72-c/chuva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-4097117783563236287</id><published>2009-04-19T14:35:00.000-07:00</published><updated>2009-04-25T19:35:54.809-07:00</updated><title type='text'>Algo Que Mudou</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SfPH6hdA3aI/AAAAAAAAAEs/1G1OKIw_GXo/s1600-h/mulher+angustiada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328822592335830434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 110px; CURSOR: hand; HEIGHT: 83px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SfPH6hdA3aI/AAAAAAAAAEs/1G1OKIw_GXo/s200/mulher+angustiada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicada em 20 de janeiro de 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Juliana cresceu ouvindo a mãe gritar:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Eu quero sumir!! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Criança, sofria e chorava com o desabafo materno, com a raiva colocada naquela voz e com o sentimento de culpa por imaginar ser o motivo daquele estranho desejo. “O que fiz de tão errado?”, Juliana se perguntava. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Menina-moça, Juliana foi aprendendo a lidar com aquilo. Os brados maternos continuavam cada vez mais freqüentes, mas ela passou a considerá-los uma frescura, um jogo de cena, a histeria de uma mulher na menopausa que como uma criança mimada queria atenção. Para a adolescente, a mãe era fraca, fria, covarde, não se resolvia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Juliana cresceu magoada, jurando que não seria o espelho de sua mãe, que não faria com seus filhos o que a mãe fez a ela. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje, já adulta, Juliana não grita. Mas entende perfeitamente o que era o desejo da mãe. O berro de Juliana está parado na garganta, em vários dias, de várias semanas, durante vários anos. E ela não se permitirá gritar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Não era o desejo real de sumir do mundo, não era o de sumir da visão dos outros. Na verdade, minha mãe queria sumir era dela mesma. Sei disso só hoje, porque é assim que também me sinto — me diz, em tom de segredo. — É uma vontade de não estar aqui, de não ver, não escutar, não perceber, não ter intuição sobre nada. Não é nem o desejo de morrer. É o desejo de não ser. De simplesmente nunca ter sido — completa ela, em plena crise de depressão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Mas, querida, de si mesmo ninguém foge — respondo, numa tentativa de arrancá-la de tanta melancolia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para mim, escutar tudo isso da boca de minha amiga é muito estranho. Parece até contraditório, porque Juliana é alegre. Ou pelo menos era. Na turma da faculdade, era a mais “pé no chão”, sempre feliz ao estar com as pessoas, seus amigos, seus parentes. Adorava a própria vida e costumava dizer: “A vida é próspera e tem me dado tudo”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas a dor que a atinge neste momento se compara à da perda de alguém querido. A dor da morte por algo que simplesmente deixou de ser, que não tem mais volta, que não tem mais conserto, que ela não quer mais, mas que não queria que acabasse. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O fato é que, na maturidade, Juliana mudou. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O chão a partir do qual construiu a sua vida começou a se mover. Seus valores, ela percebe agora, não são sólidos. E ela não sabe o que virá, tem medo do que desconhece mas não consegue voltar ao rumo anterior. “O que vou colocar no lugar do que se foi?”, se pergunta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como a mãe, ela descobriu algo obscuro no seu coração e com isso terá de viver. E sem gritar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-4097117783563236287?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/4097117783563236287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=4097117783563236287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/4097117783563236287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/4097117783563236287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/04/algo-que-mudou.html' title='Algo Que Mudou'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SfPH6hdA3aI/AAAAAAAAAEs/1G1OKIw_GXo/s72-c/mulher+angustiada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-1837723875741776759</id><published>2009-04-19T13:49:00.000-07:00</published><updated>2009-04-25T19:08:43.127-07:00</updated><title type='text'>Mulher Maravilha</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SfPBuvnVyEI/AAAAAAAAAEU/B7SjtVYtvbk/s1600-h/mao+cobrindo+o+rosto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328815792909043778" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 110px; CURSOR: hand; HEIGHT: 83px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SfPBuvnVyEI/AAAAAAAAAEU/B7SjtVYtvbk/s200/mao+cobrindo+o+rosto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicada em 13 de janeiro de 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O vidro explodiu de novo no seu ouvido. “Droga!”, gritou Ana. Pela quarta vez no ano, os moleques de rua, bandidos, estouravam o vidro do seu carro, no farol, e levavam sua bolsa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela não se surpreendeu. Na verdade, ela ficou com uma raiva enorme, muita raiva, e fez o retorno com o carro enquanto tentava lembrar o que havia perdido desta vez: “Não foi grande coisa: um óculos de sol, carteira de motorista, documentos do carro e, ai!, aquela blusa de lã preta novinha em folha! Os óculos de sol tinham grau, custaram uma grana alta! Que ódio!”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E, enquanto vasculhava a sua memória e, ao mesmo tempo, procurava encontrar a delegacia de polícia mais próxima, viu um dos meninos de longe, correndo com sua bolsa na mão. Pensou em voltar o carro para surpreendê-lo. Mas conteve o impulso. Não valia a pena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tentou respirar fundo e se acalmar, mas foi aí que olhou pra sua mão. Estava sangrando. “Quatro assaltos e pela primeira vez eu me machuco”. E chorou. Chorou de nervoso e de medo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na delegacia, pediu para parar na vaga com uma placa que avisa “reservado para autoridades”. E o policial deixou. Saiu do carro e, mesmo com o vidro quebrado, ligou o alarme. “Ligar o alarme pra quê, moça?”, quis saber o guarda. Ela sorriu amarelo e só respondeu: “Foi automático”. Se sentou na sala de espera e se preparou para o inevitável chá de cadeira que iria passar noite adentro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi só então que ligou para o marido, em casa:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Oi. Estouraram o vidro de novo no farol e estou na delegacia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Pô, de novo? Você tá bem? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Me cortei um pouco, estou sangrando, mas estou bem! — disse, sem tentar esconder o choro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E, então, do outro lado da linha, veio a reação inesperada: “Ah! Então, vê se resolve tudo rapidão aí e vem pra casa, tá? Tô te esperando”. Simples assim, como se ela estivesse fazendo compras no shopping. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ana teve um ataque de pânico. Pânico mesmo. Afinal, o que ele achava que ela era? Tão forte, tão independente, tão eficiente que era capaz de resolver tudo, tudo rápido. A mulher maravilha. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Como rápido? Você tá louco? Eu estou numa delegacia, pô! São 10 da noite! Tá chovendo! E isso é um plantão!”. E disse isso com um nó na garganta, sufocando a voz gritada. Teve vergonha. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Ah, tá! Desculpa. Não quis dizer isto”, ele respondeu do outro lado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas disse. E desculpou-se assim, já completamente sem paciência. Nem menção de ampará-la. Nem menção de socorrê-la.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Tchau, então! — Ana disse. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ato falho. Freud explica. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-1837723875741776759?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/1837723875741776759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=1837723875741776759' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/1837723875741776759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/1837723875741776759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/04/mulher-maravilha.html' title='Mulher Maravilha'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SfPBuvnVyEI/AAAAAAAAAEU/B7SjtVYtvbk/s72-c/mao+cobrindo+o+rosto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-8377292933677061981</id><published>2009-04-19T13:43:00.000-07:00</published><updated>2009-04-25T19:12:56.411-07:00</updated><title type='text'>Só Por Capricho</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SfO-gRuwhZI/AAAAAAAAAEM/soqVyZy4BPw/s1600-h/tomate+espetado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328812245834040722" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 99px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SfO-gRuwhZI/AAAAAAAAAEM/soqVyZy4BPw/s200/tomate+espetado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicada em 6 de janeiro de 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A rosa era vermelha. Estava encaixada na persiana da janela azul, de madeira. A flor se destacava de longe. Quando Simone acordou, encontrou lá a rosa. Nas folhas, frases de amor escritas com caneta preta. “Rosa de amor só vale se for roubada”, ela havia dito a Diogo na noite anterior. E elefez a sua vontade. Pulou o muro da vizinha e arrancou a rosa do jardim. A menina se encantou com aquele costume do interior. E, até por ser da cidade grande, lhe choviam pretendentes. E ela decidiu namorar aquele que cumprisse um certo ritual.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Diogo foi o primeiro namorado de Simone. Ela 15, ele 18. Ela linda, ele tímido. Ela virgem, ele no ponto. A paixão foi tão avalassaladora que toda a cidadezinha se envolveu. Torciam por eles. O pai na cidade grande ameaçou. “Se souber de algo que estrague nossa reputação você não volta praí”. A parentalha se ocupou de protegê-los. As tias os levavam para as suas casas, não os deixavam namorar nas praças, nas escadarias da igreja. Os beijos mais íntimos eram dados dentro de saletas, nas varandas das chácaras, longe dos olhos maldosos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas as férias acabaram e ela partiu. Ele ficou, prometendo amor e fidelidade eternos. Meses de namoro à distância eles tiveram. Mas os hormônios da adolescência não param de ferver. E um dia chegou a carta derradeira: “Desculpe, mas me apaixonei por outra aqui. Vamos terminar”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A traição é um tipo de navalha que entra no coração das pessoas. E foi a dor de um corte que Simone sentiu com aquela carta. Não que fosse fiel. Na verdade, na sua cidade, já ficava com vários. Mas a mulher traída, mesmo a adolescente, é ardilosa. Simone tinha um capricho a ser realizado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E quando, no Natal, voltou para a cidadezinha, não sossegou enquanto não reencontrou Diogo. Ao vê-la, quase enlouqueceu de desejo. Estavam em um baile. Ele levou a namorada para casa mais cedo. Simone também partiu, mas foi ficar à espreita, no portão da casa dele, na penumbra. E, quando ele chegou, lá estava ela. Linda e cínica, perguntou chorosa: “Mas, por quê?”. E não sossegou até arrancar-lhe um longo beijo. Despedida? Não. Vingança. Simone dormiu feliz aquela noite. Já Diogo não dormiu. Sua consciência pesava. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vinte anos se passaram. Diogo se casou com a namorada. Parece feliz. Simone teve vários homens, se divertiu pela vida, rodou o mundo, mas um dia também cansou e resolveu parar. Casou e teve filhos. De vez em quando, volta à cidadezinha e encontra Diogo por acaso. E ela ainda se diverte, porque até hoje ele não tem coragem de encará-la como alguém comum. Fica corado e finge que nunca a conheceu. É que até hoje ele sente culpa por causa daquele beijo no meio da madrugada, na frente do seu portão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-8377292933677061981?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/8377292933677061981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=8377292933677061981' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/8377292933677061981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/8377292933677061981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/04/so-por-capricho.html' title='Só Por Capricho'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SfO-gRuwhZI/AAAAAAAAAEM/soqVyZy4BPw/s72-c/tomate+espetado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-4034419200857530694</id><published>2009-02-11T09:02:00.000-08:00</published><updated>2009-04-25T18:56:01.227-07:00</updated><title type='text'>Um Olhar de Prazer</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SaWyt3LhUzI/AAAAAAAAAD8/lmVUqp0VXvE/s1600-h/iemanj%C3%A1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306844236902126386" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 110px; CURSOR: hand; HEIGHT: 83px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SaWyt3LhUzI/AAAAAAAAAD8/lmVUqp0VXvE/s200/iemanj%C3%A1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicada em 30 de dezembro de 2007&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aline conheceu Marcelo durante um réveillon. Corpo moreno do verão, roupas brancas e Copacabana inundada de gente, velas e flores para Iemanjá. Na festa, ela se sentia tão linda, que sabia que era a caça. E também caçava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao amanhecer, Marcelo a chamou e eles voltaram juntos para a praia. Foram molhar os pés. De lá, seguiram para um apartamento e, em um quarto, se afundaram no colchão. No meio da manhã, enquanto ele dormia, Aline se foi. Mas, à tarde, Marcelo ligou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Vamos sair hoje mais uma vez?”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foram jantar e passearam de mãos dadas, como velhos namorados. Ficaram mais uma noite e fizeram todas as promessas que nunca devem ser feitas a ninguém. E, no dia seguinte, ela partiu para São Paulo. Mas ele não sumiu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Telefonemas, cartões, e-mails, tudo dele a alcançava. Nos primeiros meses, ele ia vê-la e os dois se curtiam em hotéis de luxo dos Jardins. Alugaram no carnaval uma quitinete em Copacabana e passaram o feriadão felizes, andando na orla, dançando em bailes chiques, comendo em lanchonetes festivas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na Quaresma, porém, a vida começou a mudar. Algo, ela sentia, não ia bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na Páscoa, Aline foi para o Rio. Lá, nada de intimidades em apês simpáticos. Ficaram no quartinho que ele alugava no fundo da casa de um senhor, muito longe da praia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi aí que Marcelo lhe fez a acusação que doeu como uma facada:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Você mente para mim”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O ataque enjoou o seu estômago. A desconfiança é uma péssima companhia do amor. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;No inverno, Marcelo perdeu o emprego no Rio e foi morar com a mãe em São Paulo. Marcava encontros com Aline em hotéis decadentes do Centro. Até que chegou o aniversário dela. Faria 22. Era um domingo. Ligou para ele:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Vamos sair?”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Não, vem para a minha casa.”&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele, então, explicou onde morava: um ônibus e depois outro, até o ponto final, do outro lado da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O frio congelava os ossos de quem estava na rua. Na pequena casa, a mãe fazia coxinhas para fora, enquanto ele, os irmãos e os sobrinhos se amontoavam sob cobertores em dois sofás. Assistiam televisão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aline entrou e ninguém se mexeu. Nem ele. Ficou na cozinha com a velha senhora, ele vendo TV e a tarde passando. No início da noite, ela pediu: “Me leva até o terminal?”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mal-humorado, Marcelo trocou de roupa e foi com ela. Quase uma hora de viagem, os dois quietos, sentados no fundo do ônibus. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao chegarem, ele já grosseiro, Aline olhou para aquele chuvisco cinza, e finalmente percebeu o quanto estava cansada. Encarou Marcelo com um certo prazer. Chegara a sua vez de dar o troco. Ele não esperava: “Quer saber? Foda-se!”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E ela o largou lá, sem ação, com a dor de quem leva uma facada no orgulho. Nunca mais soube dele. Nem ele dela. Os dois pegaram seus ônibus e choraram até suas casas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois, simplesmente se esqueceram. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-4034419200857530694?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/4034419200857530694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=4034419200857530694' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/4034419200857530694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/4034419200857530694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/02/um-olhar-de-prazer.html' title='Um Olhar de Prazer'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SaWyt3LhUzI/AAAAAAAAAD8/lmVUqp0VXvE/s72-c/iemanj%C3%A1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-5823248560840057943</id><published>2009-02-11T09:01:00.001-08:00</published><updated>2009-02-25T12:52:57.872-08:00</updated><title type='text'>Um Lindo Rostinho</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SaWux7kqR7I/AAAAAAAAADk/MII52ApD3UM/s1600-h/foto+de+mo%C3%A7a.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306839908754278322" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 110px; CURSOR: hand; HEIGHT: 83px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SaWux7kqR7I/AAAAAAAAADk/MII52ApD3UM/s200/foto+de+mo%C3%A7a.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicada em 23 de dezembro de 2007&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Insinuante. Este era o atributo exato para Maria Dejanira. Sempre foi assim: era muito bonita, mas fingia ser o que não era, ter feito o que nunca alcançou oportunidade, só para provocar os outros, desestruturar amizades, colocar dúvidas em relacionamentos sérios. Era uma marca de sua personalidade. Na maioria das vezes se dava bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembro que Maria Dejanira quase provoca uma briga em um ônibus da escola, que nos levava a uma excursão. Meu professor de biologia foi com a namorada, moça liberal se comparada com as mulheres mais velhas que eu conhecia até então. Mas era quieta, ria com a molecada adolescente sem se meter nas brincadeiras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os meninos da minha turma adoravam falar bobagens. E, para brincar com o professor, diziam que, para tirar boa nota na prova, tinham até que beijá-lo na boca. Mas Maria Dejanira parou insinuante ao lado da poltrona do casal e disparou: “Se é assim eu já passei, né, ‘fessor’?”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O ônibus calou. A namorada do professor fulminou a menina. Entendeu a provocação, e todo mundo esperou um escândalo. Mas o professor apertou a sua perna, como que implorando para ela não fazer nada. E Dejanira se sentiu ignorada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Anos depois, encontrei uma amiga. Estava furiosa. Jandira tinha acabado de ter uma discussão feia com a ex-secretária de seu noivo. Confiava em Rodrigo, mas aquela mulher intrometida a tirava do sério.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Meu noivo era o gerente da empresa, e, por trabalhar com ele, ela achava que mandava ali”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E começou a me contar o quanto a secretária dava palpites na vida do patrão e na dela. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Rodrigo sofreu uma cirurgia, e ela me ligava para contar o que ele fazia de errado em relação à saúde. Depois, começou a dizer que eu e ele tínhamos que sair mais para ele se divertir. E, por fim, acabou se convidando para ir junto!”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Jandira chegou a pedir para Rodrigo despedir a moça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Era tão atrevida que espalhou pela empresa um boato de que eles tinham um caso. Eu ficava com ciúmes, porque ela é bonita, tem presença”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O clima entre o casal por causa da secretária estava azedo, quando os dois foram demitidos. “Fiquei aliviada. Ela não ia mais me encher”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas qual não foi a surpresa de Jandira quando a garota ligou para reclamar que o ex-patrão não atendia seus telefonemas, e que queria voltar a trabalhar com ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Eu surtei. Marquei um encontro com ela e disse que o Rodrigo ia para eles conversarem. Quando ela chegou no bar, estava toda enfeitada e feliz: ‘Cadê o Rodrigo?’, quis saber”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“E você, fez o quê?”, perguntei, já ansiosa para chegar ao fim daquela história.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Acabei com o lindo rostinho dela”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ah! O nome da ex-secretária: Maria Dejanira. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-5823248560840057943?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/5823248560840057943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=5823248560840057943' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5823248560840057943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5823248560840057943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2009/02/um-lindo-rostinho.html' title='Um Lindo Rostinho'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SaWux7kqR7I/AAAAAAAAADk/MII52ApD3UM/s72-c/foto+de+mo%C3%A7a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-2597658495890624011</id><published>2008-11-03T14:44:00.001-08:00</published><updated>2009-02-25T12:59:02.652-08:00</updated><title type='text'>SEM ADULAÇÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SaWxCeX6BeI/AAAAAAAAADs/tp2GyD5PmMI/s1600-h/sem+adula%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306842391997187554" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 110px; CURSOR: hand; HEIGHT: 83px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SaWxCeX6BeI/AAAAAAAAADs/tp2GyD5PmMI/s200/sem+adula%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado em 16 de dezembro de 2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Joana só lhe dá uma migalha do seu coração.&lt;br /&gt;Queria lhe dar mais. Muito mais. Antonio mereceria toda a sua atenção, todo o seu tempo, todos os seus pensamentos, toda a sua dedicação, mas Joana não consegue. É incapaz e, por ser incapaz, já chegou até a sentir culpa. Mas isso também já passou. Porque Antonio...&lt;br /&gt;Bem, Antonio é o tipo de homem que está sempre ali. Ele a considera tanto, ele a quer tanto e ele a respeita tanto, que até a comove. E o pior é que ele não lhe cobra nada.&lt;br /&gt;Quando ela o dispensa, ele aceita. Quando ela adia os seus encontros, ele entende. Quando ela lhe pede um favor, ele faz.&lt;br /&gt;E não pense que ele faz por submissão, porque Joana não o obriga. Ele também não faz para agradá-la, porque ele conhece bem Joana e sabe que ela não é o tipo de mulher que se adule.&lt;br /&gt;Já insinuaram que Antonio não tem amor-próprio, mas também não é isso, porque Joana nunca o ofende. Ao contrário: com ele, e apenas com ele, Joana tem sempre o cuidado de ser delicada. Com o resto do mundo, esta mulher é invariavelmente dura.&lt;br /&gt;Acredito que Antonio faça tudo o que pode por Joana simplesmente porque sente prazer. E Joana apenas aceita seus favores e seus afagos, sem permitir que ele vá mais além. E cala sobre o que não sente. É como um favor que ela faz a ele. É seu modo de agradecer. E, sinceramente, Antonio está nessa vida há tanto tempo que, se percebe o que Joana realmente sente por ele, prefere fazer de conta que nada sabe, que não vê, que não entende.&lt;br /&gt;Olho às vezes para esse casal de amigos, nessa situação tão estranha para mim, e, nas suas expressões, nos seus rostos, o que leio é algo assim:&lt;br /&gt;“Vamos deixar as coisas como elas estão. Devemos apenas sentir e fazer, sem falar o que pensamos um do outro. Ou melhor: vamos tentar nem mesmo pensar”.&lt;br /&gt;Outro dia Joana me confessou que já tentou amar Antonio como ele a ama.&lt;br /&gt;“Há alguns anos ele ficou muito doente. Seu filho me telefonou. Ele estava desacordado, na UTI, e era o meu nome que chamava sem parar. Então, fui lá. Entrei no quarto, ele acordou, me olhou, sorriu e voltou a dormir. Tive uma vontade enorme de cuidar de Antonio, como ele sempre cuidou de mim. Saí de lá até acreditando que o amava de verdade. Mas, foi só ele sair do hospital, e o dia-a-dia voltar ao normal, para perceber que seria impossível”.&lt;br /&gt;Joana hoje sabe que nunca vai conseguir. Simplesmente porque, por Antonio, não sente nem o desejo que vem pelo corpo, nem a paz que vem pela alma.&lt;br /&gt;“O que sinto? Apenas um afeto sincero, mais parecido com gratidão”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-2597658495890624011?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/2597658495890624011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=2597658495890624011' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2597658495890624011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/2597658495890624011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2008/11/sem-adulao.html' title='SEM ADULAÇÃO'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SaWxCeX6BeI/AAAAAAAAADs/tp2GyD5PmMI/s72-c/sem+adula%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-7449634296269466670</id><published>2008-11-03T14:40:00.000-08:00</published><updated>2008-11-09T19:17:03.162-08:00</updated><title type='text'>O FIM DE LINDA FLOR</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SRemdNht6fI/AAAAAAAAABc/0QmM1Q5-_98/s1600-h/linda+flor+foto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266861310010583538" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 155px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SRemdNht6fI/AAAAAAAAABc/0QmM1Q5-_98/s200/linda+flor+foto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado em 9 de dezembro de 2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Linda tinha um sonho. Melhor: Linda tinha um desejo. Queria ser Flor. "Dona Flor, como no romance de Jorge Amado", ela me contou. A fantástica história da professora de artes culinárias que dividia a cama entre o marido vivo e o marido morto fazia minha amiga delirar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Professora também, Linda sempre via em seu marido Olavo todo o jeitão do farmacêutico Teodoro Madureira, que na história só gostava de transar com dia e hora marcados. Olavo era um aplicado advogado, mas, na sua lista de prioridades, o sexo estava lá pela sexta colocação. A situação só não era pior porque, por exceção à regra, Olavo não gostava de futebol. Sem isso, o sexo seria muito mais raro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas a estabilidade do casamento a deixava tranqüila e relativamente feliz, e ela se contentava em só imaginar que um dia poderia ter um Vadinho como o do livro. Ela criava fantasias com aquele homem safado, que a virasse do avesso de tanto prazer, mas que também lhe trouxesse à vida um pouco do sofrimento e da insegurança que aparecem quando não se tem certeza da lealdade e do amor. Como não acreditava em fantasmas como era o Vadinho baiano, imaginava que tal indivíduo tinha que ser “invisível” — entrar e sair sorrateiramente da sua casa e da sua cama sem ser percebido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dia ela me ligou esbaforida para contar que tinha encontrado o tal Vadinho: era Duda, um rapaz que conheceu na academia. Casado, mas perfeito. “Ele tem até o hálito do Vadinho dos meus sonhos. Estou apaixonada”, disse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para colocá-lo dentro de casa, fez o que pôde para aproximá-lo do marido, que passou a confiar no rapaz. Ficaram amigos. Assim, Duda ia à casa de Linda todos os dias, viajava com o casal e os dois aproveitavam as “distrações” de Olavo. No celular, quando Duda chamava, era o nome Vadinho que aparecia no visor. E Linda assinava mensagens para ele com o codinome Dona Flor. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tudo parecia perfeito, Linda Flor vivia em paz com seus “dois maridos”, quando a tecnologia os traiu. O e-mail que era para ter sido apagado ficou lá, gravado em uma pasta de memória. E foi uma declaração de amor ao seu marido, assinada por uma tal de Flor, que Joana leu naquela noite. As malas de Duda foram parar na rua. E a cópia do e-mail foi parar na tela de Olavo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A fantasia de Linda acabou aí. Olavo quis o divórcio e, sem ele, ser Dona Flor não tinha a menor graça. A paixão acabou. Duda, que gostava da aventura pela aventura, também não encontrou seu rumo. Sem casa, nunca se tem para onde voltar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perguntei a Linda se valeu a pena. “E como não? Sou privilegiada, não acha? Se apaixonar loucamente não é para qualquer uma”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-7449634296269466670?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/7449634296269466670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=7449634296269466670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/7449634296269466670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/7449634296269466670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2008/11/o-fim-de-linda-flor.html' title='O FIM DE LINDA FLOR'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SRemdNht6fI/AAAAAAAAABc/0QmM1Q5-_98/s72-c/linda+flor+foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-5562273115258598500</id><published>2008-10-12T18:30:00.001-07:00</published><updated>2008-10-12T18:55:53.846-07:00</updated><title type='text'>Só por diversão</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SPKpaXmkC4I/AAAAAAAAABU/9VlXC02WuV4/s1600-h/Cora%C3%A7%C3%A3o+de+semente.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256449985572244354" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SPKpaXmkC4I/AAAAAAAAABU/9VlXC02WuV4/s200/Cora%C3%A7%C3%A3o+de+semente.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado em 2 de dezembro de 2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois alguém pode me dizer por que aquelas duas mulheres ficaram falando sobre vibradores e sexo em grupo na frente de Juliana? Juliana foi crente desde que nasceu, estava casada há poucos meses e os vizinhos já diziam que o marido reclamava da falta de sexo. A moça, comentavam os homens nos bares, não gostava da coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, Juliana sofria de uma timidez crônica. Falar sobre sexo com as amigas mais íntimas e mesmo com o marido a deixava incomodada. Naquela noite, ela mal conseguia tirar os olhos da louça que lavava enquanto escutava a conversa das amigas de seu marido. Estava encabulada e não tinha nem como sair da cozinha. Porque, se saísse, daria muita bandeira para aquela duas mulheres. E ela ficou lá, roxa de vergonha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu digo por que Ana e Antonia fizeram isso: foi por pura diversão. Elas nem combinaram. Mas, "putas velhas", perceberam a falta de experiência da outra. E, como se já tivessem usado algum instrumento a mais na cama ou mesmo fossem praticantes do &lt;em&gt;ménage à trois&lt;/em&gt;, discorreram sobre o assunto como duas especialistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era puro teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Fui numa loja de produtos franceses e encontrei lá um vibrador que era uma gracinha! Era rosa e tinha até de formato de coelho!", disparou Ana. "Jura? Sou louca pra ter esse", replicou Antonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coitada da Juliana mal respirava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"De vez em quando a gente convida outra pra passar a noite lá em casa. Acho muito bom. Mas queria mesmo que fosse outro", mentiu Ana. "Ah, isso é bem legal mesmo. Mas meu marido não gosta muito...", emendou a amiga, fazendo bico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas cínicas essas donas. São tão normais que dá até dó. Uma terceira pessoa na cama daria em divórcio. Elas cortariam os pulsos de ciúmes. Nunca nem pegaram num vibrador. Nem fazem direito o papai-e-mamãe. A preguiça é uma constante e a dor de cabeça, sempre a melhor desculpa pra dizer não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se sentiram o máximo cutucando a menina recém-casada, que era virgem até o matrimônio e sempre acreditou que sexo era só bom para fazer bebê. Quando a moça enfim saiu da cozinha, as duas morreram de rir, vitoriosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas outro dia eu vi Juliana numa festa. Fiquei surpresa. Estava linda como nunca. O decote do vestido curto de crepe a deixava glamurosa. Ela dançava como louca, transpirava sensualidade e chamava a atenção de todos. Seu marido a cercava de mimos e beijos e, quando dei por conta, os dois tinham sumido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana e Antonia? Ah, elas também estavam lá! Na mesa, numa rodinha de peruas, bebendo cerveja, comendo coxinha e falando mal da vida alheia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-5562273115258598500?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/5562273115258598500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=5562273115258598500' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5562273115258598500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5562273115258598500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2008/10/s-por-diverso.html' title='Só por diversão'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SPKpaXmkC4I/AAAAAAAAABU/9VlXC02WuV4/s72-c/Cora%C3%A7%C3%A3o+de+semente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-6999142546359272595</id><published>2008-09-28T16:26:00.000-07:00</published><updated>2008-09-28T22:26:58.755-07:00</updated><title type='text'>Virando o Pote</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SOBnEHyhbaI/AAAAAAAAABM/1GpW0_XpglE/s1600-h/FLORES+VERMELHAS.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5251310486022090146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SOBnEHyhbaI/AAAAAAAAABM/1GpW0_XpglE/s200/FLORES+VERMELHAS.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado em 25 de novembro de 2007&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por quanto tempo a gente consegue tapear o ciúmes? Se exagerado, destrói a gente por dentro. Só é útil se vier em doses homeopáticas, até divertidas. Mas a tentação de engolir o pote numa talagada só às vezes é muito maior do que a nossa capacidade de ponderação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ciúme é diferente para cada um. Uma prima tinha ciúmes de qualquer um que se aproximasse do seu marido. Era como uma doença. Hoje ela está chata e só, e ele está feliz com outra. Não é um bom exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei um cara casado que curte sexo com a mulher e mais alguém. Mas só podia ser outra garota. "Outro cara na cama com minha mulher, não..." "Mas e se ela se apaixonasse pela outra?", perguntei, pegando pesado. Ele não conseguiu responder. Travou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um casal de amigos aceita a troca de casais. Mas ela tem ciúmes, contou-me, um ciúme sutil. Se incomoda quando a outra ou o outro não percebem o seu lugar. "Quando eles, ou algum deles, acham que podem mudar alguma coisa entre nós. Eu e o meu marido, nós nos amamos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor história de ciúme que ouvi foi de uma figura que tem uns 40 e que, aparentemente, vive de bem com a vida. Nunca imaginei que sentisse ciúme de alguém. Ela me contou assim: "Eu decidi aceitar o convite pra tomar uma cerveja com ele e a namorada. Era um desafio e tanto. Fiquei imaginando quantas vezes teria vontade de subir no pescoço dos dois. Mas queria me superar. Estava convencida de que só podíamos ser amigos. Cheguei e sentei estrategicamente na frente da garota. Estranhamente não senti nada. Ou melhor, sentia pena. A cada palavra dela eu pensava: o que ele viu nessa mulher? Ela não é nem bonita, nem inteligente. A voz é esganiçada. Eu olhava pra ela, olhava pra ele, e não via onde aquela história se encaixava. E me sentia bem por não ter ciúmes. Foi aí que aconteceu: o celular dele tocou. Ele atendeu e passou pra ela, falando um nome masculino. ‘Oi, meu amor, a mamãe já vai pra casa’, ela disse algo assim. Droga, eu pensei! É o filho da garota, ligando no celular dele! Viu? Não tive ciúme dela logo de cara, mas tive ciúme daquela situação tão íntima que, só com o telefonema, percebi que existia entre os dois. O chão saiu debaixo dos meus pés!"&lt;br /&gt;"Mas, baby", eu respondi, "podia não ser nada disso. Vocês já tinham bebido, pode ter imaginado coisas...".&lt;br /&gt;"Eu sei, mas é disso que eu estou falando. Eu não sei o que está acontecendo ali."&lt;br /&gt;Minha amiga teve de engolir o pote inteiro.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-6999142546359272595?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/6999142546359272595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=6999142546359272595' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/6999142546359272595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/6999142546359272595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2008/09/virando-o-pote.html' title='Virando o Pote'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SOBnEHyhbaI/AAAAAAAAABM/1GpW0_XpglE/s72-c/FLORES+VERMELHAS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-5283931629817535667</id><published>2008-08-11T19:23:00.000-07:00</published><updated>2008-09-07T19:49:25.080-07:00</updated><title type='text'>POR CINCO MINUTOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SMSSoEmlQeI/AAAAAAAAAA8/hNqtySdQ86U/s1600-h/BANCO+COM+OLHOS.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5243477083294089698" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SMSSoEmlQeI/AAAAAAAAAA8/hNqtySdQ86U/s400/BANCO+COM+OLHOS.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Publicada na coluna ELAS SABEM DEMAIS em 18 de novembro de 2007&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A moça nem respira ao volante. O trânsito quase parado ajuda na sua observação assustada, em&lt;br /&gt;princípio muito indignada. Depois até emocionada. E, no final, resignada.&lt;br /&gt;O olhar fixo está naquele grupo de pessoas que acorda na manhã cinzenta da cidade. O chuvisco&lt;br /&gt;de São Paulo gela o ambiente. Um a um, vão saindo de barracas feitas de lona meninas e meninos de pele meio manchada, despenteados, de roupas largas, amassadas e rasgadas, rostinhos sujos.&lt;br /&gt;Mulheres esguias e grosseiras, que um dia foram bonitas, também estão por lá com suas saias&lt;br /&gt;rodadas. Uma delas, a que está um pouco mais afastada, se põe de cócoras e, com uma caneca de&lt;br /&gt;alumínio cheia de água fria, lava um bebê de pouco mais de 1 ano. É um pequeno andante, que ela solta em seguida para ver cambalear desajeitado até cair na grama batida.&lt;br /&gt;Os homens morenos usam botas, calça jeans envelhecida, camisa meio aberta mostrando parte&lt;br /&gt;do peito e, na cintura, um facão. Estão reunidos numa rodinha, conversando baixo, mascando fumo, ameaçadores.&lt;br /&gt;Uma fogueira aquece o café perto da barraca maior. Uma velha toma conta do fogo. A fumaça&lt;br /&gt;desenha fantasias no ar e deixa todo o ambiente mais misterioso. O menino maior vai até a calçada, se aproxima da avenida e olha os carros passando devagar no congestionamento. Um dos carros de vidros fechados é o de Alba.&lt;br /&gt;“É impossível imaginar o que ele pensa”, fala sozinha a moça ao volante. O menino se volta de repente e joga longe um pedaço de madeira que tem na mão, numa brincadeira. Alba se assusta e dá um grito abafado, que ninguém escuta.&lt;br /&gt;Mais calma, a motorista pensa, com lágrimas nos olhos: “Essas crianças precisam de cuidado!”&lt;br /&gt;Tem ímpetos de sair do carro para enfrentar toda aquela gente estranha, para “salvar” os pequenos. Mas, de repente, percebe outra coisa: “Parecem felizes...” Se sente ainda mais confusa após olhar de novo para a cena, agora com outros olhos, e perceber todos juntos, compartilhando o café, sorrindo e brincando sem nenhum ar de preocupação.&lt;br /&gt;Uma curva e o pescoço de Alba se esforça para não perder outros detalhes do grupo. Até que não&lt;br /&gt;é possível vermais nada. Os prédios já escondem os ciganos acampados na praça. E a cena toda não durou mais do que cinco minutos.&lt;br /&gt;E só então Alba volta para o trânsito e para si. Olha para o espelho retrovisor, admira o reflexo&lt;br /&gt;de seu rosto, retoca o batom, ajeita a franja lisa e loira, respira fundo, acelera e esquece completamente tudo o que viu e sentiu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-5283931629817535667?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/5283931629817535667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=5283931629817535667' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5283931629817535667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5283931629817535667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2008/08/por-cinco-minutos.html' title='POR CINCO MINUTOS'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SMSSoEmlQeI/AAAAAAAAAA8/hNqtySdQ86U/s72-c/BANCO+COM+OLHOS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-497119387140974757</id><published>2008-08-11T19:12:00.000-07:00</published><updated>2008-08-21T22:43:02.612-07:00</updated><title type='text'>CABEÇA MASCULINA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SK5R0sDe-wI/AAAAAAAAAA0/kBWu9gojpzU/s1600-h/m%C3%A3o+com+ma%C3%A7%C3%A3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237213382299286274" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SK5R0sDe-wI/AAAAAAAAAA0/kBWu9gojpzU/s400/m%C3%A3o+com+ma%C3%A7%C3%A3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicada na coluna ELAS SABEM DEMAIS em 11 de novembro de 2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os homens só se preocupam mesmo com o trepar!&lt;br /&gt;“Oh, amor, você tem que fazer algum resguardo?”, perguntou Aristides para Sara, dois dias antes da cirurgia. Ela ia fazer uma intervenção simples, pra tirar um pequeno cisto, e o médico já havia dito que não era nada grave.&lt;br /&gt;Sara tinha chegado tarde do trabalho, estava cansada, com fome e pedindo um banho.&lt;br /&gt;Aristides fez de conta que não percebeu, foi tomar banho na frente, se barbeou e saiu todo cheiroso. Mas não fez menção de tocá-la. Ele a conhecia bem e sabia que podia ser um erro fatal.&lt;br /&gt;Sara sacou o jogo e se animou. Correu pro banheiro, tomou uma ducha morna e prolongada, passou um creme no corpo, colocou a camisola transparente e se meteu embaixo das cobertas.&lt;br /&gt;Encostaram coxa com coxa enquanto na TV passava um especial sobre as perversões do Império Romano.&lt;br /&gt;Foi aí que Aristides fez a observação, com aquele tom de voz carinhoso de fazer derreter qualquer tipo de resistência feminina:&lt;br /&gt;“Pensei que você estivesse de resguardo hoje”.&lt;br /&gt;“Não”, ela disse. “O médico não recomendou nada sobre isso...” E deixou a mão dele subir e descer sobre suas coxas, e depois sobre sua barriga e todo o resto mais...&lt;br /&gt;Terminou antes do especial da TV, mas Sara me contou que foi delicioso. Tecnicamente perfeito.&lt;br /&gt;Exaustos, eles nem tentaram conversar (também já não faziam isso há tempos, mas esta é outra história). Viraram cada um para um lado e dormiram na hora, profundamente.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, Sara estava revigorada e saiu para trabalhar. Aristides, de folga naquele dia, ficou em casa. Como sempre, ela voltou tarde, cansada, com fome e precisando de um banho.&lt;br /&gt;Mas faria a operação no dia seguinte cedinho e tudo o que mais desejava era uma recepção carinhosa. Ela estava apreensiva, nervosa, com bastante medo, mesmo sabendo que tudo devia ser muito simples.&lt;br /&gt;De cara estranhou as luzes da casa apagadas. O carro estava na garagem, mas Aristides não veio abrir a porta. Ela entrou e, no quarto, dormindo, lá estava ele.&lt;br /&gt;Quando acendeu as luzes, ele entreabriu os olhos e murmurou: “Deixei janta pra você dentro do microondas”.&lt;br /&gt;“Que sorte!”, ela pensou. “Mas não posso comer, estou de resguardo por causa da cirurgia...”, ela respondeu, quase chorando, numa tentativa desesperada de sensibilizá-lo.&lt;br /&gt;“Então, guarda na geladeira...” E virou pro outro lado para continuar a roncar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-497119387140974757?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/497119387140974757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=497119387140974757' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/497119387140974757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/497119387140974757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2008/08/cabea-masculina.html' title='CABEÇA MASCULINA'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SK5R0sDe-wI/AAAAAAAAAA0/kBWu9gojpzU/s72-c/m%C3%A3o+com+ma%C3%A7%C3%A3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-5628515749578853862</id><published>2008-06-14T17:40:00.000-07:00</published><updated>2008-08-07T15:06:23.028-07:00</updated><title type='text'>A  MACHADINHA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SJtxek2jazI/AAAAAAAAAAs/UA3c1GPCoCw/s1600-h/machadinha.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231900162223467314" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SJtxek2jazI/AAAAAAAAAAs/UA3c1GPCoCw/s400/machadinha.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicada na coluna ELAS SABEM DEMAIS em 4 de novembro de 2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hilda tinha uma machadinha . Ganhou de presente do Doca. Mas não foi um presente qualquer. Não que ganhar uma machadinha de presente do marido seja coisa comum. Mas poderia ser um presente, digamos... terno, carinhoso ou até exótico se o marido tivesse ido até uma loja, olhado cada objeto com atenção e escolhido o que mais refletia o amor que sentia pela mulher. Mas não foi assim. Hilda foi quem pediu a machadinha . Pediu não: exigiu. Quis a machadinha quando descobriu que Doca a traia. Pois ele de birra foi à loja, escolheu um belo exemplar, de cabo vermelho, amolou bem amolado e levou para a mulher. Ela recebeu, não agradeceu, enrolou em um pano de pratos e guardou no meio de suas calcinhas. “Eu ainda te mato com essa machadinha !”, declarou. A traição foi assim: o casal e dois filhos viviam numa cidadezinha da Paraíba. Já tinham passado por São Paulo, guardado algum dinheiro e, como boa parte dos migrantes, resolvido voltar pra terrinha. Depois de um tempo, o calor, o ócio e a falta de dinheiro voltaram a apertar e eles decidiram apostar de novo no Sul. Hilda decidiu voltar pra São Paulo primeiro. Tinha contatos, antigas patroas e, avaliou, podia conseguir um emprego e preparar o retorno da família. Mas a solidão é um osso difícil de roer para o homem que adora dizer que é macho. Dois meses sem uma mulher foi o limite para Doca: arrumou uma amante, mulher de um vigia noturno. Tinham encontros todas as noite, na casa dela. Ele esperava as crianças dormirem e, pra não fazer barulho e correr o risco de acordar alguém, saía e chegava em casa empurrando a moto. Grande idéia essa do Doca! O plano era perfeito, as crianças tinham sono pesado, mas (olha aí o imponderável) a família tinha uma vizinha. E ela ligou para Hilda. A mulher enfurecida comprou uma passagem de avião à prestação e voltou no dia seguinte pra sua cidade. Foi direto pra casa da vizinha e lá passou o dia escondida. Ouviu o marido brigando para os meninos irem logo pra cama. Viu as luzes do quarto dos garotos se apagarem. Viu ele empurrando a moto da garagem sorrateiramente. E estava lá, na sala, quando ele voltou de madrugada, quase amanhecendo. Foi um Deus nos acuda! Pra encurtar a história, até levar a mulher pra conhecer a amante ele foi obrigado. Depois da fúria, Hilda, de verdade, se divertia com a covardia do marido. E aí veio a idéia da machadinha . Hilda mantém até hoje a bichinha guardada, embrulhada no pano de pratos, no meio de suas calcinhas. Quando a coisa aperta, ela só fala: "Olha, Doca, que um dia eu ainda vou usar essa machadinha."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-5628515749578853862?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/5628515749578853862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=5628515749578853862' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5628515749578853862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/5628515749578853862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2008/06/machadinha.html' title='A  MACHADINHA'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SJtxek2jazI/AAAAAAAAAAs/UA3c1GPCoCw/s72-c/machadinha.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-234541335755923611</id><published>2008-06-06T18:14:00.000-07:00</published><updated>2008-08-07T15:16:33.452-07:00</updated><title type='text'>OS PÉS DE FLORA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_LkGlrW5QRTU/SFRs1sXAdGI/AAAAAAAAAAk/IlFAv_wDFqE/s1600-h/P%C3%89S+COM+MEIAS.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211910338471031906" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 82px; CURSOR: hand; HEIGHT: 115px" height="199" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_LkGlrW5QRTU/SFRs1sXAdGI/AAAAAAAAAAk/IlFAv_wDFqE/s400/P%C3%89S+COM+MEIAS.bmp" width="153" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicada na coluna ELAS SABEM DEMAIS em 28 de outubro de 2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De todas as histórias que já ouvi sobre dormir de meias, a mais curiosa foi a de Flora. Minha amiga não é nada burguesa, mas nunca dispensa o par de meias na hora de ir para a cama.&lt;br /&gt;Suas meias têm estampas infantis, combinam com suas camisolas e pijamas coloridos e não importa a temperatura da noite: elas estão sempre lá, protegendo seus pés.&lt;br /&gt;Flora explica que dorme de meias desde os 20 e poucos. O motivo? Um grande amor, talvez o único de sua vida, que acabou casando com outra que engravidou primeiro.&lt;br /&gt;Mesmo com tanta desilusão, ela se ilumina quando lembra que o amava perdidamente. Que os beijos eram doces, o sexo era ótimo, os orgasmos freqüentes, mas que, depois do rompimento,&lt;br /&gt;o que nunca conseguiu esquecer mesmo foi daquela sensação dos pés do outro nos seus pés. “Era como se nossos quatro pés fossem um único pé, entende?”, pergunta, chorosa.&lt;br /&gt;Se peço para ela contar mais, dar mais detalhes pra eu entender essa história, Flora fecha os olhos e entra em transe.&lt;br /&gt;Primeiro um sorriso se desenha no seu rosto e ela suspira ao lembrar da antiga paixão. Diz que sente imediatamente o volume e o frio dos pés do outro, a aspereza dos seus calcanhares masculinos, o toque das unhas mal aparadas e até o roçar dos pêlos que ele tinha sobre o peito do pé. E aí solta outro suspiro.&lt;br /&gt;De repente, quando percebo, Flora já está aos prantos e diz que só deseja que ele também suspire sempre, com a lembrança dela e de seus próprios pezinhos delicados, número 33. São minúsculos os pés de Flora.&lt;br /&gt;“E foi por isso que passei a dormir de meias. A&lt;br /&gt;cada novo namorado, a cada novo amante, mais que companhia e sexo bom, o que procuro é a mesma sensação nos pés. O pior é que são mais de 20 anos nesta busca”.&lt;br /&gt;É assim que ela se comporta: no primeiro encontro nunca usa as meias. É a esperança de reencontrar a sensação que alimenta a sua loucura. Mas, a partir do segundo encontro, colocá-las é inevitável. É como um impulso doentio que não consegue evitar. Não usar meias lhe provoca náuseas e tremedeiras.&lt;br /&gt;Flora diz que é por causa dessa obsessão que sempre está só. Os homens com quem sai nunca conseguem satisfazê-la. E, além de tudo, é lógico que acham a meia brega.&lt;br /&gt;Mas, penso, eles até devem ter razão!&lt;br /&gt;Minha amiga exagera. Imagina só, no meio da empolgação, nua em pêlo, a mulher sempre pára tudo, abre a bolsa, cata um par de soquetes e o calça. E sem dar a menor explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-234541335755923611?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/234541335755923611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=234541335755923611' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/234541335755923611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/234541335755923611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2008/06/os-ps-de-flora.html' title='OS PÉS DE FLORA'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_LkGlrW5QRTU/SFRs1sXAdGI/AAAAAAAAAAk/IlFAv_wDFqE/s72-c/P%C3%89S+COM+MEIAS.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1516246508692316514.post-8709319507637151236</id><published>2008-05-25T21:21:00.000-07:00</published><updated>2008-08-07T15:15:52.464-07:00</updated><title type='text'>A EX-MULHER</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.aalmaperdida.kit.net/tear.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.aalmaperdida.kit.net/tear.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicada na coluna ELAS SABEM DEMAIS em 21 de outubro de 2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tinha cabelos claros, no tom dourado. E olhos também claros, no mesmo tom dos cabelos. Mas lembro que eram grandes, sempre esbugalhados e brilhantes quando falava, e isso foi o que mais me impressionou nela. A vi apenas três vezes e sempre foi em seu olhar que eu me fixei. Na primeira vez, o olhar era de submissão. Na segunda, de desespero. E, na terceira, vinha carregado de uma frieza, quase uma ameaça.&lt;br /&gt;Foi no intervalo entre o nosso primeiro e segundo encontros que ela de boa vontade se apresentou a mim: “Oi, eu sou a ex-mulher do João”. Ela falou aquilo como se fosse uma sina, uma profissão: “Eu sou a ex-mulher!” E ao mesmo tempo com tanta naturalidade que eu me assustei. Porque ao atribuir a si mesma a posição de “ex-mulher” ela se destituía do que dela era mais importante, o ser mulher. Era como se ela só existisse a&lt;br /&gt;partir dele, através dele.&lt;br /&gt;Não que a culpa fosse dela. Em se tratando de casais, não há culpas individuais. Eu, sem ao menos conhecê-los direito, conhecia bem a sua história. Não que eu fizesse questão de saber. É que tenho um curioso dom: fico sempre sabendo do que não procuro saber. Não preciso especular, não preciso perguntar — cedo ou tarde as pessoas vêm a mim e me contam, como se eu fosse alguém para quem vale sempre contar sobre a própria vida e a vida alheia.&lt;br /&gt;Então, sabia que um dia se amaram, não por uma paixão avassaladora. Soube que ela tinha por ele grande admiração e ele, por ela, carinho e respeito. Mas que um dia ele, que era mais consciente de suas vontades, decidiu partir. E ela não se conformou. E, mesmo não morando mais na mesma casa, continuou a cuidar dele. Levava suas contas&lt;br /&gt;ao banco, orientava a empregada, checava a sua geladeira. E ele, por compaixão, permitia. E ela não perdia as esperanças de um dia voltar a dividir com ele a cama. E ele tinha a certeza que isso nunca mais aconteceria.&lt;br /&gt;E pensando nela, e no significado das palavras, tentei me colocar no seu lugar. Eu definitivamente nunca me apresentaria como “a exmulher”. Acho que diria algo assim: “Oi, prazer, eu sou Maria. Ele, João, é meu ex-marido”. Falariadojeito certopara quepercebessem queeu não sou anexa a ele. E quem me ouvisse entenderia que aquele tinha sido sim o meu homem, que eu o amei e que, no fundo, de alguma forma, ainda o amava. Que tinha sido sua mulher, mas que por conta do passar da vida a vontade de ficar junto esfumaçou-se. Que ele percebeu primeiro e eu, não tendo como negar, mesmo com dor, cedi. E que, agora também livre, estou pronta para procurar outros amores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1516246508692316514-8709319507637151236?l=umcontoem4cantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/feeds/8709319507637151236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1516246508692316514&amp;postID=8709319507637151236' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/8709319507637151236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1516246508692316514/posts/default/8709319507637151236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcontoem4cantos.blogspot.com/2008/05/ex-mulher.html' title='A EX-MULHER'/><author><name>Vivi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16959749592848988727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_LkGlrW5QRTU/SWLZN1aP9EI/AAAAAAAAAC4/6D_Sd6AszEM/S220/Imagem+149.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
